Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

País cria 32.140 empregos com carteira assinada em maio, pior resultado para o mês desde 2016

Setor agrícola, principalmente por causa das safras de café e laranja no Sudeste, foi o que mais contratou; para secretário, números mostram que economia está em 'compasso de espera'

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2019 | 16h20

BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro criou 32.140 empregos com carteira assinada em maio, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Ministério da Economia. Esse foi o pior resultado para o mês desde 2016, quando foram fechadas 72.615 vagas.

O saldo de maio decorre de 1,347 milhão de admissões e 1,315 milhão de demissões. Em maio de 2018, a abertura líquida de vagas havia chegado a 33.659, na série sem ajustes.

Para Entender

Seguro-desemprego 2019: saiba quem tem direito, quais as regras e como sacar o benefício

Valores e números de parcelas variam de acordo com o salário e tempo de trabalho

O resultado de maio ficou dentro do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, mas bem abaixo da mediana. As projeções eram de abertura de 17.000 a 109.905 vagas, com mediana positiva de 70.000 postos de trabalho.

Para o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcomo, o resultado de maio mostra que a economia está em compasso de espera. "A geração de emprego está em linha com o que a economia vem demonstrando, que está com dificuldade de alçar novos voos. A economia está em compasso de espera a ser definido por pontos importantes, como a reforma da Previdência", afirmou.

No acumulado de janeiro a maio, o saldo do Caged é positivo em 351.063 vagas, o pior resultado desde 2017. Foram abertas 351.063 vagas neste ano e 381.166 no mesmo período do ano passado. Para Dalcomo, não é possível traçar uma tendência de "descida ou subida" nos dados, que apresentam desempenho similar dos últimos anos.

"É razoável que o volume gerado no Caged no ano seja em linha com o ano passado. Não é razoável com a economia crescendo 1% pensar que teremos um grande volume de geração de empregos, mas também não teremos fechamento", afirmou.

Em 12 meses até maio, o saldo é positivo em 474.299 postos de trabalho.

Setores

O resultado do mês foi puxado pelo setor agrícola, que gerou 37.373 postos formais, principalmente por causa das safras de café e laranja no Sudeste, seguido pela construção civil, que abriu 8.459 vagas de trabalho.

Também tiveram saldo positivo no mês o setor de serviços (2.533 postos), administração pública (1.004 postos) e a extração mineral (627 postos).

O comércio fechou 11.305 vagas no mês passado, assim como a indústria, que teve saldo negativo de 6.136, e os serviços industriais de utilidade pública, com -415.

Salário médio

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada teve queda real de 0,64% em maio de 2019 ante o mesmo mês de 2018, para R$ 1.586,17. Na comparação com abril, houve pequena alta de 0,08%, informou o Ministério da Economia.

O maior salário médio de admissão em maio ocorreu na extrativa mineral, com R$ 2.426,42, puxado pelos salários da Petrobrás. Já o menor salário médio de admissão foi registrado na agropecuária, com R$ 1.284,83.

Novas modalidades de contratação

No mês passado foram criados 7.559 empregos com contrato intermitente, segundo o Caged. Esse modelo de contratação registrou admissão total de 12.780 trabalhadores, ao mesmo tempo em que houve 5.221 demissões.

Houve ainda a abertura de 1.377 vagas pelo sistema de jornada parcial. As duas novas modalidades foram criadas pela Reforma Trabalhista. O Caged informou ainda que houve 19.080 desligamentos por acordo no mês de maio.

.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.