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Moody's sinaliza que pode rebaixar nota de crédito do Brasil

Embora mantenha o rating do País, condições econômicas fizeram agência revisar a perspectiva futura de 'estável' para 'negativa'

Danielle Chaves, Agência Estado - Atualizado às 12h00

09 de setembro de 2014 | 11h32

A agência de classificação de risco Moody's revisou a perspectiva do rating Baa2 do Brasil de "estável" para "negativa". De acordo com a Moody's, a mudança se aplica a todas as classes de ratings (nota que avalia o risco de investir nos títulos de dívida) do governo brasileiro. Ou seja, numa próxima análise, a classificação do Brasil pode ser rebaixada. O teto soberano em moeda estrangeira e moeda local permanece inalterado.

"A ação de rating reflete o risco crescente de que o contínuo baixo crescimento e a piora dos indicadores de dívida sinalizem uma redução na qualidade de crédito do Brasil e irão deflagrar uma migração em sentido declinante em seu rating de crédito", afirmou a agência em um comunicado.

A Moody's explicou que os principais determinantes para a revisão da perspectiva do rating foram a redução sustentada no crescimento econômico, que mostra pouco sinal de retorno ao potencial no curto prazo; a deterioração acentuada no sentimento do investidor, o que tem afetado negativamente a formação bruta de capital fixo; e os desafios fiscais que estes obstáculos econômicos impõem, impedindo a reversão da tendência de elevação nos indicadores da dívida do governo.

Apesar da revisão da perspectiva, a Moody's afirmou que o rating Baa2 foi mantido por causa da "contínua resiliência do país a choques financeiros externos, dado seu colchão de reservas internacionais; vulnerabilidade limitada do balanço patrimonial do governo a mudanças abruptas no apetite global por risco em relação aos seus pares; e os benefícios subjacentes derivados da economia extensa e diversificada do Brasil".

A Moody's prevê que a economia brasileira continuará com crescimento baixo e que a alta do PIB anual provavelmente vai permanecer abaixo do potencial do país de cerca de 3%. De acordo com os cálculos da agência, o PIB do Brasil provavelmente vai crescer menos de 1% neste ano e que o crescimento em 2015 permanecerá abaixo da marca de 2%.

No início do ano, outra das mais relevantes agências de classificação de risco, a Standard & Poor's, rebaixou a nota do Brasil. Os motivos alegados à época são semelhantes aos utilizados agora pela Moody's: 

"O rebaixamento reflete a combinação de derrapagem fiscal, a perspectiva de que a execução fiscal permanecerá fraca, em meio a um crescimento moderado nos próximos anos, uma capacidade limitada para ajustar a política antes da eleição presidencial de outubro e um certo enfraquecimento das contas externas do Brasil. A perspectiva de crescimento lento reflete tanto fatores cíclicos como estruturais, incluindo o investimento como parcela do PIB de apenas 18% em 2013 e uma desaceleração do crescimento da força de trabalho. Combinados, esses fatores destacam o espaço diminuído do governo para manobrar em face de choques externos".

Sobre o novo governo. A Moody's afirmou que o rating do Brasil incorpora a expectativa de que, apesar das "visíveis diferenças" entre os três principais candidatos à presidência, o próximo governo "provavelmente colocará ênfase na volta para um posicionamento fiscal mais conservador e na adoção de medidas que os investidores provavelmente vão ver como condutoras a um ambiente de negócios mais favorável ao mercado".

Segundo a Moody's, isso deve permitir que o crescimento da economia brasileira se aproxime do potencial do País. No entanto, ponderou a agência, qualquer ajuste levará tempo para fazer efeito. "A economia provavelmente irá passar por um ou dois anos de período de transição, depois que a nova administração tomar posse no dia 1º de janeiro de 2015, e qualquer reversão das tendências atuais apenas deve acontecer gradualmente, independentemente de qual candidato seja eleito", avaliou a Moody's em comunicado.

A Moody's afirmou que poderá rebaixar o rating do Brasil caso se torne aparente que a tendência dos indicadores fiscais e de dívida do governo não será interrompida e revertida e caso o crescimento da economia permaneça abaixo da tendência.

Por outro lado, a Moody's poderia mover a perspectiva do rating soberano do Brasil de volta para estável se houver a consolidação de uma recuperação econômica conduzida por investimentos e se houver um cumprimento rígido das metas de superávit primário no intervalo de 2% a 3% do PIB.

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