André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mudanças na política fiscal terão impacto na inflação em 2017, diz BC

Devido à queda de receita do governo, o diretor Altamir Lopes explicou que o BC passou a trabalhar com uma perspectiva de que o resultado fiscal será expansionista e não mais neutro

Célia Froufe, Bernardo Caram e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 Março 2016 | 13h38

BRASÍLIA - O Banco Central mudou a sua perspectiva para a política fiscal do Brasil, de neutro para expansionista, devido a queda de receitas extraordinárias do governo tem sofrido. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, contudo, avaliou que as alterações na política fiscal não afetam a inflação no curto prazo, mas irão ter impacto em 2017. 

"A expectativa é que o fiscal hoje seja expansionista. Se vai caminhar para a neutralidade, temos que observar", disse o diretor. 

Nesta quarta-feira, o banco Central divulgou um rombo recorde do setor público em fevereiro. A percepção é que as contas públicas continuam ruins, mas que tornar as metas mais claras ajuda o mercado a formular expectativas.

"A política fiscal tem seus 'lags', mas afeta em termos de termos de expectativas. Se você explicita suas metas, mesmo que sejam ruins, isso reduz muito a volatilidade e o que ficam são os resultados efetivos", afirmou, ao comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado hoje pelo BC.

Na semana passada, o governo propôs cortar a meta fiscal, o que na prática significa que o déficit primário pode chegar a R$ 96 bilhões neste ano.

Lopes disse ainda que a autoridade monetária trabalha com o câmbio "como está". "Trabalhamos com um câmbio mais estável este ano, ao contrário do que o observado em 2014 e 2015. Isso, claro, favorece o alcance dos objetivos da política monetária já mencionados anteriormente", completou.

Questionado por que o BC não incluiu na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) a afirmação de que os juros não cairão no período à frente - que está no RTI de hoje -, o diretor respondeu que a instituição entende que o recado foi dado em discursos. "Acreditamos que a ata não era espaço para repetir a informação. O RTI abre mais a possibilidade análise de balanço de riscos do que a ata", argumentou.

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