Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

'No futebol, sempre há risco de gestões irresponsáveis para conseguir resultado esportivo imediato'

Presidente do Flamengo defende as contrapartidas de governança da MP 671, que institui o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, em troca do refinanciamento de dívidas dos clubes com a União

Entrevista com

Eduardo Bandeira de Mello

IAN CHICHARO GASTIM, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2015 | 02h04

Conselho fiscal autônomo, balanços auditados de forma independente e punição para dirigentes por má conduta. Tais práticas de gestão, tão comuns no linguajar corporativo, passaram a fazer parte do dia a dia do Flamengo. À frente do clube rubro-negro desde 2013, Eduardo Bandeira de Mello tem trabalhado para modernizar a gestão do clube.

"Sempre há o risco de dirigentes agirem de maneira irresponsável para conseguir resultado esportivo imediato", afirma Bandeira de Mello.

Além de instituir a Lei de Responsabilidade Fiscal, algo inédito entre os times brasileiros, o Flamengo é a favor das exigências de gestão da MP 671, que visa a refinanciar dívidas de clubes.

Para Bandeira de Mello, o Flamengo, que se reestruturou após ver a dívida do clube bater R$ 750 milhões em 2012 – no último ano antes do início do seu mandato –, pode estimular mais mudanças na gestão no futebol. "Se o Flamengo pôde [implementar práticas de gestão], por que os outros não podem?". Confira a entrevista:

Qual a sua avaliação sobre a MP do Futebol?

É um bom ponto de partida, mas existem pontos que precisam ser aperfeiçoados. O artigo 8.º pode ser totalmente suprimido. Ele interfere na gestão de risco dos clubes, ao exigir que todas as receitas transitem por uma conta única.

Os clubes estão preparados para aderir?

Não tenho a menor dúvida de que os clubes poderão aderir. O Flamengo estava numa situação muito ruim há dois anos e hoje pode dizer, com orgulho, que já cumpre todas as contrapartidas do artigo 4.º da MP 671. Se o Flamengo pôde por que os outros não podem?

Qual é a dificuldade de gerir um clube como empresa?

Em clubes como o Flamengo, que têm uma torcida muito grande, sempre há o risco de dirigentes agirem de maneira irresponsável para conseguir resultado esportivo imediato. Isso foi a fonte de todos nossos problemas aqui no clube.

A Lei de Responsabilidade Fiscal resolve essa questão?

Com a mudança estatutária fica muito mais difícil. A lei é boa também para nossa captação de recursos, para reduzir taxa de juros, e para aumentar a segurança de investidores e credores. Empresas, patrocinadores e investidores dão valor para práticas de gestão.

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O Flamengo estava numa situação muito ruim há dois anos e hoje pode dizer, com orgulho, que já cumpre todas as contrapartidas do artigo 4º da MP 671, diz Mello
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Qual o principal entrave para a modernização da gestão?

Eu entendo que a gestão do futebol tem evoluído de uns tempos para cá. No caso do Rio, se você olhar a Federação de Futebol do Estado (Ferj), você vai chegar à conclusão de que as outras federações são "exemplos" de modernização. A Ferj pratica exemplos do que não se pode fazer, em termos de administração.

É viável economicamente romper com a Ferj?

Seria uma bravata minha falar agora que criaremos uma liga. Estamos estudando a viabilidade jurídica e política dessa alternativa e de outras. O fato é que o Fla não pode se desfiliar por conta de punições previstas no estatuto arcaico da Ferj. Estamos trabalhando por uma saída que garanta o mínimo de modernização, rentabilidade e atratividade ao futebol do Rio.

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