O ‘dream team’ de Michel Temer falhou

O caminho da austeridade fiscal prometido pela equipe do presidente não foi alcançado e a culpa não é só do Congresso ou do Judiciário

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 23h41

O clima é de total frustração na equipe econômica depois do rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, o primeiro sob a gestão do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Afinal, Meirelles e o seu “dream team” chegaram ao governo com pompa e circunstância com a missão de dar uma direção ao desequilíbrio estrutural das contas públicas que coloca a dívida em trajetória explosiva.

O time dos sonhos falhou. E o downgrade agora é a prova disso.

É verdade que houve avanços no campo fiscal com a correção de rumos dos gastos dos subsídios, aprovação do teto de gastos, queda da inflação e da taxa de juros para patamar histórico.

Faltou, no entanto, uma direção, um rumo, capaz de mostrar que o déficit fiscal que ronda R$ 120 bilhões a R$ 157 bilhões poderá ser reduzido, garantindo que o teto de gasto – a principal medida da equipe de Meirelles – ficará em pé.

O Palácio do Planalto, os aliados políticos, o Congresso, a burocracia estatal da elite de servidores e tantos outros adversários do ajuste fiscal não deram trégua. As pressões só aumentaram, na reta final do ano passado, numa sequência de medidas de perda de receita e expansão das despesas. Um cenário que lembra muito o ano de 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff agravou de vez com as contas públicas em busca da sua reeleição.

A verdade é que não há de fato no grupo político do presidente Michel Temer a convicção da necessidade bandeira do ajuste fiscal. Só vale mesmo o discurso vazio.

O caminho da austeridade fiscal prometido pela equipe do presidente não foi alcançado e a culpa não é só do Congresso, do Judiciário, mas do próprio Temer que não barrou a fome dos seus aliados. Com o duro jogo eleitoral pela frente, o maior desalento é que o alerta do rebaixamento não vai mudar esse quadro.

Mais conteúdo sobre:
Análise Econômica

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.