Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Oliveira Energia-Atem arremata distribuidora da Eletrobrás no Amazonas com lance mínimo

Estatal vai assumir R$ 13 bilhões em dívidas da distribuidora e consórcio comprador, único a fazer oferta, outros R$ 2,2 bilhões; liminar judicial tentou suspender leilão

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 17h52
Atualizado 11 Dezembro 2018 | 00h38

A Eletrobrás vendeu nesta segunda-feira, 10, a distribuidora de energia do Amazonas para o consórcio formado pelas empresas Oliveira Energia e Atem, da região Norte. Elas fizeram a única oferta pela empresa no leilão de privatização, que chegou a ser alvo de uma liminar obtida por trabalhadores da Eletrobrás.

Como previsto no edital, a estatal assumirá R$ 13 bilhões em dívidas da empresa amazonense, enquanto os compradores ficarão com R$ 2,2 bilhões em débitos. A maior parte das dívidas da unidade é com a Petrobrás, pelo fornecimento de combustíveis para térmicas da empresa.

Os novos donos da Amazonas Energia, que já haviam vencido o leilão da distribuidora Boa Vista, de Roraima, se comprometeram a fazer um aporte de R$ 491 milhões na empresa. 

O leilão da distribuidora, realizado na Bolsa paulista, a B3, já havia sido adiado diversas vezes por falta de interessados. A privatização da subsidiária da Eletrobrás era uma preocupação para a União, porque se ela não fosse vendida teria de ser liquidada – o que provocaria um rombo de cerca de R$ 5 bilhões para o próximo governo. 

Em 2016, a Eletrobrás desistiu de tocar a distribuidora depois de anos de prejuízos acumulados e operava a empresa em um regime precário de designação, à espera do leilão. 

Nesta segunda, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, avaliou que a venda da Amazonas Energia é “um avanço e uma vitória enorme”. Segundo ele, essa é a distribuidora da Eletrobrás com mais prejuízo, que dá mais problema, que presta o serviço de pior qualidade e com energia mais cara. “É o retrato de tudo aquilo que não queremos no Brasil”, disse. “A energia ali não era limpa, não era abundante, e os preços não eram justos.” 

Logo após a batida de martelo, uma liminar obtida por trabalhadores da Eletrobrás pedindo a suspensão do leilão colocou em dúvida a validade do processo.

À noite, a empresa divulgou uma nota dizendo que, por não ter sido intimada, a decisão judicial valia apenas para o próximo leilão e não para este - o leilão da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) está agendado para o dia 19 deste mês.  A liminar condiciona a eficácia do leilão à apreciação de um órgão especial da Justiça do Trabalho.

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