Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

País exportará 35 mil cabeças de gado para a Turquia nos próximos dias

Antes de serem embarcados no porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, animais são transportados em centenas de carretas vindas do Centro-Oeste, sob temperaturas que superam os 30 graus

Carlos Cesar Santos, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2018 | 19h14

SÃO SEBASTIÃO (SP) - Sob um calor de 35 graus, ao menos cinco mil gados sacolejam pelas estradas das regiões Centro-Oeste e Sudeste, em centenas de carretas, com destino ao porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Ao todo, 35 mil gados serão exportados para a Turquia nos próximos dias, em três navios.

Um deles, o Gelbay Express, de Cingapura, atracou no porto sebastianense na tarde da última quarta-feira, 3. Os demais aguardam para atracar na barra norte do Canal de São Sebastião, ao norte de Ilhabela.

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Por onde passam, as carretas que transportam os gados espalham cheiro de esterco e urina, que podem ser sentidos em diversos bairros de São Sebastião e Ilhabela. "Temos que ficar presos em casa, com esse calor, pois o cheiro é insuportável. Dirigir atrás dessas carretas nem pensar", queixa-se o comerciante Rodrigo Demasceno, 31.

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O transporte de carga viva vem preocupando as entidades protetoras dos animais, devido às condições em que os gados são submetidos desde o transporte rodoviário, até a viagem de navio, que pode levar mais de 30 dias.

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Assembleia Legislativa de São Paulo vai oferecer denúncia ao Ministério Público Federal e Estadual, juntamente com as entidades. 

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O deputado estadual Roberto Tripoli (PV), que preside a comissão, diz considera que o transporte dos gados é uma "crueldade".

"Além de ser uma crueldade transportar os animais desta forma, existe uma ameaça ao meio ambiente, à fauna marinha, à pesca e até à saúde humana", considerou o deputado.

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Em dezembro passado, ele se reuniu com representantes do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, da Animals International e uma consultora internacional, a médica veterinária australiana Lynn Simpson, que alertaram sobre as condições que envolvem o transporte marítimo de dezenas de milhares de bois em cada viagem.

"Apesar de tratados internacionais, das normas e leis destinadas a regular a exportação e o transporte terrestre e marítimo de animais, os agravos ambientais ocorrem. E o mais grave é a crueldade com os animais, impossível de ser evitada, diante das condições inerentes a esse transporte e às longas distâncias. Além do mais, os animais destinados ao consumo podem ser abatidos de forma cruel, depois de todo o sofrimento do transporte", considerou Trípoli.

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