Gabriela Bila/Estadão
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Para reforçar internacionalização, Itaú cria conselho para América Latina

Novo colegiado estratégico será presidido pelo vice-presidente Ricardo Villela Marino, que vai deixar o dia a dia do banco para ser um ‘acionista ativista’ e dividir a sala com Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 05h00

O vice-presidente do Itaú Unibanco, Ricardo Villela Marino, vai deixar o dia a dia do maior banco privado do País para presidir o Conselho Estratégico da instituição financeira para América Latina. A criação desse colegiado foi anunciada nesta quinta-feira, 12, com o foco na maior internacionalização do banco na região. Marino vai sentar lado a lado com Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do banco, em uma sala que está sendo construída no prédio da instituição na Avenida Brigadeiro Faria Lima, coração financeiro de São Paulo.

“Meu plano é ser um acionista mais ativista para ajudar a enriquecer a governança do banco na América Latina”, disse Marino ao Estado. Em comunicado ao mercado nesta quinta-feira, 12, o Itaú Unibanco informou que o executivo Cesar Blaquier, sócio do banco e presidente do Itaú Argentina assumirá as funções de Marino como diretor coordenador das operações na Argentina, Uruguai e Paraguai, além da gestão de produto e suporte aos negócios da América Latina, que antes estava sob responsabilidade de Marino. Milton Maluhy continua como presidente do Itaú CorpBanca no Chile.

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Para o novo conselho, o banco indicou nomes da casa: Setubal, Candido Bracher, presidente da instituição, e Eduardo Vassimon, à frente do Itaú BBA, e executivos externos. Foram convidados Andrés Velasco, ex-ministro da Fazenda do Chile, Angel Corocstégui, ex-Santander e com larga experiência no mercado financeiro, a economista mexicana Sonia Dulá, que atuou como vice-presidente do Bank of America Merril Lynch para América Latina, e Hugo Barra, ex-Xiaomi, que hoje está no Facebook. “Barra é maior referência brasileira hoje no Vale do Silício”, disse Marino.

Segundo ele, a ideia é que o novo conselho trace os planos de expansão do banco para a América Latina. O colegiado passará a se reunir oficialmente a partir de 2019, mas os membros vão começar a se encontrar no segundo semestre para “uma imersão” sobre os novos desafios. “Estamos trazendo executivos de fora para provocar novas visões, pensar em novos segmentos, em como expandir a plataforma digital e acelerar a estratégia de latino-americanização do Itaú Unibanco.”

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O banco começou a se internacionalizar há 11 anos, após a compra do BankBoston. “O resultado da América Latina no balanço era zero. Hoje, a região responde por 26,5% dos empréstimos totais do banco e 8% dos resultados”, afirmou. Com a maior integração do Itaú CorpBanca, a expectativa é de que os resultados da região subam para dois dígitos a partir de 2020.

O banco ocupa a vice-liderança no Uruguai e Paraguai, é a quarta maior instituição no Chile e quinta na Colômbia. “Queremos ser o banco de referência digital na América Latina, avançar onde já estamos e estudar novos mercados. Temos presença na Europa e Estados Unidos, mas trabalhamos para focar na América Latina.” O acionista não descarta fazer novas aquisições no exterior.

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Trajetória. Filho de Milú Villela, maior acionista individual do banco, Marino, de 44 anos, engenheiro mecânico formado pela Poli/USP, fez MBA no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e estudou gestão familiar em Harvard. Ele chegou a ser apontado como sucessor de Roberto Setubal, quando o banco anunciou a sucessão.

Segundo Marino, o Itaú Unibanco é uma instituição meritocrática e preocupada com valores e princípios, pensando nas futuras gerações. “Tudo na vida são ciclos. Fecho este com chave de ouro. Trabalho há mais de 22 anos no mercado financeiro (teve passagens pelo banco Garantia e Goldman Sachs, por exemplo), 16 dos quais no Itaú.”

No fim de junho, o executivo vai para a Universidade Stanford fazer um curso por sete semanas. “Estou me sentindo obsoleto neste mundo mais disruptivo, de novas tecnologias e vanguarda digital. Vou fazer um minissabático para uma imersão de estudos e depois volto para colocar a mão na massa.”

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Quatro perguntas para: Ricardo Villela Marino

1.Qual o papel dos membros desse conselho?

A tendência de digitalização e desintermediação (bancária) é clara. Vamos pensar novos produtos, expandir a plataforma digital, trazer conteúdos para as reuniões e originar negócios para o cliente. 

2. O modelo de compra da XP pode ser replicado?

O banco comprou 49% da XP, operação que ainda precisa ser aprovada pelo Cade. Muitos concorrentes compram o controle, já o Itaú Unibanco é mais flexível em relação a sócios. 

3. Como vê o crescimento dos países latino-americanos onde o banco está?

Esses países tiveram um período de boom das commodities e hoje vivemos um período benigno de crescimento global sincronizado. Além da economia, temos de estar atentos à política. Este ano serão escolhidos presidentes na Colômbia, México e Brasil. 

4. Como o sr. vê o cenário eleitoral no Brasil?

Sabemos que há desafios para o Brasil. Vamos fazer a nossa parte e esperamos que os governantes façam a deles para aprovar as reformas – fiscal, tributária e política – para que o País continue ganhando tração para voltar a crescer. 

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