Pixabay
Pixabay

Passageiros terão de se acostumar com passagens aéreas mais caras, diz diretor de entidade do setor

Para Willie Walsh, da Iata, há pouco o que as empresas podem fazer diante da alta do preço do petróleo

Luciana Dyniewicz*, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2022 | 10h57

ENVIADA ESPECIAL A DOHA - O preço do petróleo está muito alto e não há muito o que as companhias aéreas possam fazer em relação a isso - afinal, ele é o maior custo dessas empresas. A consequência se dá no preço das viagens: os passageiros terão de se acostumar com passagens aéreas mais caras. Essa é a opinião de Willie Walsh, diretor geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A entidade está realizando nesta semana, no Catar, seu encontro anual.

"As pessoas terão de se acostumar (com passagens mais caras). Não sou mais um CEO de uma companhia aérea, mas olho os fundamentos", disse Walsh. "O preço do petróleo está muito alto e ele é o maior custo de uma aérea. As empresas podem fazer pouco quanto a isso. Podem fazer um hedge, um ajusto de curto prazo. Mas no longo prazo, todo mundo tem que pagar o preço do petróleo, que mudou de forma estrutural para um patamar mais alto. E não há um modo de as companhias aéreas absorverem isso".

O valor do petróleo continua elevado no mercado internacional. Nesta segunda-feira, 20, o preço do óleo tipo Brent fechou cotado a US$ 114,13 o barril. Bancos e corretoras ouvidos pelo Estadão na semana passada acreditam que o preço do petróleo pode passar de US$ 130 o barril no médio prazo e chegar até o fim do ano em US$ 150, como previu o Morgan Stanley em relatório divulgado recentemente.

"Não sei qual será o preço do petróleo, mas tudo sugere, quando você olha a curva, que ainda que diminua um pouco, continuará mais alta do que esperávamos dois anos atrás, quando o preço do barril à vista estava em US$ 50 ou US$ 60", disse Walsh. "Agora temos uma curva em US$ 110, começando a reduzir, mas em um patamar muito mais alto."

Walsh usa dados do setor na pré-pandemia para mostrar o tamanho do impacto da alto do petróleo. "O preço médio do barril entre 2010 e 2019 foi de US$ 80. O petróleo representou nessa época, em média, 27% dos custos da indústria. Essa foi a melhor década na história da indústria, quando nossa margem era de 5,5%. Aí você vê que não é uma indústria muito lucrativa. Então o preço médio aumenta 30% e vai de US$ 80 para US$ 105. A matemátca é simples, os preços das passagens precisam subir."

Críticas às aéreas

O diretor da Iata discorda das críticas às companhias aéreas e as classifica como "injustas". "Não acho que seja difícil para as pessoas entenderem. Uma empresa aérea que está perdendo dinheiro não pode ser acusada de especulação quando está aumentando seus preços porque os custos aumentaram de forma significativa. Elas ainda estão perdendo dinheiro." 

Levantamento da Iata divulgado na segunda, 20, mostra que as perdas do setor aéreo neste ano devem ficar em US$ 9,7 bilhões, ainda por conta da pandemia de covid-19. A entidade estima que 2023 deve, finalmente, ser o ano em que o setor como um todo voltará a registrar lucros. 

"Os preços de energia estão elevando a inflação e sendo repassados aos consumidores. Acho que é injusto as pessoas criticarem as companhias aéreas quando elas não têm opção", diz Walsh. "As aéreas estão perdendo dinheiro, os custos estão subindo. Elas têm que adotar todas as medidas que podem parar sobreviver neste ambiente".

*A repórter viajou a convite da Iata

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.