Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

PIB da indústria tem primeiro resultado positivo desde 2013

Setor cresceu 0,6% em 2018 em relação ao ano anterior; o segmento de construção civil, porém, acumula cinco quedas seguidas

Daniela Amorim, Renata Batista e Vicicius Neder, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 11h21

RIO - A crescimento de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) da indústria em 2018 foi a primeira variação positiva após quatro anos de queda, informou nesta quinta-feira, 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2013, a indústria havia subido 2,2% ante 2012.

Apesar do alívio, quando as atividades industriais são desagregadas, a indústria da construção civil amargou o quinto ano seguido de queda, com recuo de 2,5% em seu PIB em 2018 ante 2017. A construção tem desempenhos negativos desde 2013.

Segundo o IBGE, o PIB nacional repetiu o resultado de 2017 e avançou 1,1% no ano de 2018, somando R$ 6,8 trilhões. No quarto trimestre, o crescimento foi de 0,1% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. A alta anual leva a atividade econômica ao mesmo patamar do primeiro semestre de 2012, mas o PIB ainda encontra-se 5,1% abaixo do pico alcançado no primeiro semestre de 2014.

Isoladamente no quarto trimestre de 2018, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a indústria da transformação encolheu 1,0%, maior queda nessa base de comparação desde o quarto trimestre de 2016, quando houve recuo de 1,3% em relação ao terceiro trimestre de 2016.

Minério de ferro

O aumento da produção de minério de ferro pela Vale em 2018 compensou a queda na extração de petróleo e gás no ano e garantiu a alta de 1% na produção do segmento de indústrias extrativas em relação ao ano anterior.

Os dados do IBGE mostram que a produção avançou significativamente no último trimestre do ano, quando o setor extrativo avançou 1,9% em relação ao período entre julho e setembro. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a alta foi de 3,8%.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Pallis, o desempenho da indústria extrativa foi um dos fatores que ajudaram a compensar  a redução no ritmo de crescimento do agronegócio em 2018 para o resultado do setor externo.

Os dois segmentos são fortemente orientados às exportações, mas o segmento agro não repetiu a safra recorde do ano anterior. A exportação avançou apenas 4,1% no ano apesar da alta do dólar, mas também mostrava aumento no ritmo no último trimestre de 2018, quando avançou 12% em realização aos três meses do ano anterior.

Antes do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, a produção da Vale vinha subindo principalmente na região Norte, com o aumento paulatino da nova operação de S11D, no Pará. A produção de minério no Sudeste em 2018 foi afetada pela operação da Anglo American, que teve um vazamento em um mineroduto e passou a maior parte do ano paralisada.

A expectativa dos analistas do setor para 2019 é que a retomada da Anglo compense, em parte, a retirada de parte da produção da Vale na região Sudeste após a tragédia de Brumadinho. A empresa tomou a iniciativa de suspender a produção de cerca de 40 milhões de toneladas na região e está com outros 35 milhões de toneladas suspensos por questões de licenciamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.