Enric Fontcuberta/EFE - 28/7/2020
Enric Fontcuberta/EFE - 28/7/2020

PIB da zona do euro tem queda recorde no segundo trimestre

Atividade econômica nos 19 países encolheu 12,1% na comparação com o trimestre anterior, mostrando o impacto das medidas de isolamento social para conter a pandemia de covid-19, que só começaram a ser relaxadas em maio

Reuters

31 de julho de 2020 | 09h50

BRUXELAS - A economia da zona do euro registrou a contração mais forte da história no segundo trimestre, mostraram estimativas preliminares nesta sexta-feira, 31, com a inflação no bloco acelerando inesperadamente em julho.

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) nos 19 países encolheu 12,1% na comparação com o trimestre anterior, informou a agência de estatísticas Eurostat em sua estimativa preliminar.

A queda mais forte do PIB desde que os registros começaram, em 1995, aconteceu em meio às paralisações provocadas pela pandemia de coronavírus, que muitos países começaram a relaxar apenas a partir de maio.

A expectativa do mercado era de uma contração de 12,0%, e segue-se a um recuo do PIB de 3,6% no primeiro trimestre do ano.

Entre os países para os quais havia dados disponíveis, a Espanha registrou o pior resultado, com sua economia encolhendo 18,5% na comparação trimestral, apagando toda a recuperação da crise financeira dos últimos seis anos.

O PIB na Itália e na França também caiu com força, mas menos do que o esperado, respectivamente 12,4% e 13,8%. A Alemanha registrou contração de 10,1% no segundo trimestre.

A inflação deu continuidade à tendência de alta, contrariando expectativas de desaceleração e sustentando o cenário do Banco Central Europeu de que uma leitura negativa pode ser evitada.

A Eurostat informou que os preços ao consumidor no bloco avançaram 0,4% em julho sobre o ano anterior, de 0,3% em junho e 0,1% em maio. Economistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam alta de 0,2% dos preços.

Quedas históricas nos países

A Espanha registrou queda de 18,5% no PIB do segundo trimestre ante os três meses anteriores, a maior da história, segundo dados preliminares divulgados pelo INE, o instituto de estatísticas do país. Na comparação anual, a atividade econômica do país teve retração de 22,1%.

A contração de 13,8% no PIB no segundo trimestre na França, a segunda maior economia da zona do euro, superou a queda de 10,1% registrada pela Alemanha, onde as autoridades conseguiram conter as mortes relacionadas à covid-19 e não precisaram adotar uma paralisação tão rigorosa quanto a do governo francês.

Entretanto, o recuo não foi tão acentuado quanto os 17% previstos pela agência nacional de estatísticas, INSEE, e os 15,3% projetados por analistas em pesquisa da Reuters.

Na Itália, a queda de 12,4% no PIB do segundo trimestre ante o primeiro, acentuou a recessão no país. De janeiro a março, a atividade econômica já havia recuado 5,4% na comparação com os três últimos meses de 2019. Na comparação anual, a queda de abril a junho chegou a 17,3%.

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