Damião Francisco
Posto de abastecimento da EDP para carro elétrico. Da esquerda para a direita: Andreas Marquardt, diretor presidente da Porsche, Johannes Roscheck, CEO e presidente da Audi, Eduardo Sousa, diretor da Eletric mobility Brasil, Pablo Di Si, presidente e CEO da VW América Latina, Antonio Mexia, CEO Global EDP, André Clark, presidente e CEO da Siemens, Miguel Setas, presidente da EDP Brasil e Rafael Paniagua, presidente da ABB. Damião Francisco

Rodovias de São Paulo terão 30 postos de abastecimento para carro elétrico

Consórcio formado por empresa de energia, montadoras e fabricantes de equipamentos foi aprovado em chamada pública da Aneel e vai investir R$ 32,9 milhões no projeto, que deve ser concluído nos próximos três anos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 13h00

Uma investida para incentivar a eletrificação dos veículos foi dada nesta terça-feira, 22, com o anúncio da instalação de 30 postos de recarga rápida nas principais rodovias de São Paulo. O Estado será o primeiro do País a ter cobertura total de abastecimento, segundo o consórcio responsável pelo projeto formado pela empresa de energia EDP, as montadoras Volkswagen, Porsche e Audi e as fabricantes de equipamentos ABB, Electric Mobility e a Siemens. O Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel/UFRJ) ajudará na gestão da rede. 

Os novos postos terão capacidade para carregamento de 80% das baterias em até meia hora. Serão instalados em sete rodovias que se conectam com outras onde já há estações de abastecimento (não necessariamente com a mesma rapidez) como Dutra, Bandeirantes e Anhanguera. “São Paulo será o primeiro Estado 100% coberto por rede de carregamento elétrico, sendo que cada posto estará a cerca de 150 quilômetros um do outro”, informa Miguel Setas, presidente da EDP no Brasil.

O consórcio foi aprovado em chamada pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltada a incentivar a transição energética do País e a promover o uso de fontes não poluentes no transporte. O grupo investirá R$ 32,9 milhões no projeto, previsto para ser concluído ao longo dos próximos três anos.

Setas ressalta que, somando os outros Estados, haverá 64 pontos de carregamento nos 2,5 mil quilômetros que interligam as capitais São Paulo, Rio, Vitória, Curitiba e Florianópolis. “Será o primeiro e maior projeto desse tipo na América do Sul.”

O presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si, ressalta a importância da criação de um ecossistema com parceira pública e privada para “criar uma nova era no Brasil”. Para ele, esse “é o primeiro passo para quem espera um Brasil melhor”. Com a Porsche e a Audi, marcas pertencentes ao grupo, a montadora fornecerá veículos para testar o corredor.

Di Si informa que em novembro começará a ser vendido no País o Golf GTE híbrido plug-in (com um motor a combustão e outro elétrico), importado da Alemanha. Nos próximos cinco anos chegarão mais seis modelos 100% elétricos escolhidos entre uma gama de 70 modelos que o grupo lançará globalmente. A Porsche trará seu primeiro elétrico ao País, o Taycan 4S, no próximo ano e a Audi o e-tron, primeiro utilitário-esportivo (SUV) 100% elétrico da marca até maio.

“A onda de eletrificação veicular começa a chegar com mais intensidade no Brasil e o projeto da rede de recarga ultrarrápida terá um papel fundamental principalmente na confiança dos consumidores, que passam a ter mais confiança na qualidade e quantidade de postos da rede de recarga”, afirma Johannes Roscheck, presidente da Audi do Brasil. “No mundo, a empresa planeja lançar 30 modelos eletrificados até 2025.” 

As novas bases de carregamento serão instadas nas rodovias Tamoios, Imigrantes, Carvalho Pinto, Governador Mário Covas, Dom Pedro, Washington Luis e Régis Bittencourt.

Frota de elétricos no Brasil

Calcula-se que há entre 8,5 mil e 10 mil veículos elétricos rodando pelo País. Estudo do Boston Consulting Group prevê que o número chegue a 2 milhões daqui a uma década. Neste ano, somando os híbridos, foram vendidas 5.436 unidades até setembro, ante 3.970 em todo o ano de 2018, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Todos são importados e os preços partem de R$ 150 mil. O primeiro veículo elétrico a ser produzido no Brasil será o caminhão e-Delivery, da Volkswagen Caminhões e Ônibus, no próximo ano.

No mundo todo há cerca de 2 milhões de veículos elétricos em circulação, segundo dados da Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Pelas estimativas da empresa de pesquisas, até 2040 serão 56 milhões, o equivalente a 57% da frota. Paralelamente, o número de veículos a combustão deve encolher de 85 milhões para 42 milhões. 

A EDP tem vários carros elétricos em sua frota, dos quais cinco são usados pelos diretores da empresa. “Até 2030 teremos 100% da nossa frota elétrica ou híbrida”, informa Setas.

Além do corredor em São Paulo, o grupo português participa de dois projetos de eletrificação. Um deles é a instalação de um e-lounge, área de abastecimento elétrico no aeroporto de Guarulhos e no centro de São Paulo para atender especificamente frotas de automóveis de transporte público (táxis, etc), e outro um corredor para ônibus elétricos no Espírito Santo.

A chamada pública feita pela Aneel recebeu 38 propostas de projetos que exigirão entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões de investimentos.

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Startup de locação só usa veículos elétricos para transporte de carga

KWFleet comprou 150 vans da empresa chinesa BYD, que tem fábrica em Campinas, onde produz chassi para ônibus elétricos e painéis solares

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 13h00

Em operação desde março, a KWFleet, startup que atua na locação exclusivamente de veículos elétricos para transporte de cargas, adquiriu 150 vans da BYD, empresa chinesa que tem fábrica em Campinas (SP), onde produz atualmente chassi para ônibus elétricos e painéis fotovoltaicos.

As vans foram importadas da China e metade da encomenda já está com a KWFleet, a outra parte será entregue nos próximos dias. O investimento na frota foi de R$ 30 milhões. Em 2020, serão gastos mais R$ 100 milhões para a aquisição de 90 caminhões elétricos também da BYD.

“Até 2023 queremos ter uma frota de 5 mil veículos 100% elétricos, incluindo automóveis e ônibus”, informa Luis Carlos Magalhães, presidente da KWFleet. Por enquanto, diz ele, a empresa vai atuar apenas na locação para empresas na grande São Paulo, mas, a partir de março, expandirá serviços para as regiões metropolitanas do Rio e de Salvador. No momento, ele não pensa em alugar para pessoas físicas pois o custo é alto.

As vans estão sendo usadas no transporte de produtos farmacêuticos, bebidas (entrega de barril de chope), calçados, por redes varejistas e empresas de serviços de telefonia para uso em manutenção. Os caminhões serão de pequeno porte para poderem circular em áreas urbanas.

Além de não emitirem poluentes e serem silenciosos, as vantagens dos veículos elétricos, segundo Magalhães, são os custos menores com abastecimento e manutenção e isenção do rodízio. “A energia custa em torno de 25% do valor gasto com diesel e gasolina e o gasto com manutenção equivale a 20% do gasto com veículo a combustão.”

O preço do veículo, contudo, é quase o triplo de um similar a combustão, informa Magalhães, mas a economia em uso e manutenção compensa. Na locação, os preços para as vans são em média 20% a 30% superiores aos de veículo similar a combustão. No caso dos caminhões, é quatro vezes mais. 

Os prazos dos contratos de locação variam de cinco a dez anos. A parceria feita com a BYD prevê um pacote completo de serviços incluídos no valor do aluguel como seguro, manutenção, conectividade. “Os eletropostos para carregar as baterias são instalados na base do cliente como comodato”, informa Magalhães.

Carlos Roma, diretor de vendas da BYD, diz que a empresa estuda produzir caminhões em Campinas, mas ainda não há data definida. A empresa vendeu no ano passado 200 caminhões para a Corpus Saneamento e Obras, empresa que atua na coleta, transporte e destinação de resíduos em seis municípios de São Paulo e em Vitória. Foram entregues 21 unidades e 45 devem chegar no primeiro semestre de 2020. As demais serão entregues até 2022.

A fabricante chinesa também tem planos de instalar 200 postos de recarga. “A infraestrutura para recarga não é o maior desafio da eletromobilidade, mas sim o preço das baterias, que chegam a representar 50% do valor do veículo e pode chegar a 70% no caso dos caminhões.”

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