Miguel Lo Bianco/Reuters
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Saída da Argentina de negociações do Mercosul deve acelerar permissão para acordos bilaterais

Tendência é que o bloco crie regra para deixar claro que os países poderão continuar negociando com outras nações, sem o aval argentino; ideia já era discutida por Paulo Guedes

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2020 | 19h53

BRASÍLIA - A retirada da Argentina de novas negociações do Mercosul pode acelerar o fim da união aduaneira do bloco. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, fontes ligadas à área internacional acreditam que a discussão de tornar o grupo apenas uma área de livre comércio deve ganhar fôlego após a pandemia do novo coronavírus.

Como membros de uma união aduaneira, os países do Mercosul não podem negociar acordos comerciais com outras nações independentemente.

Se o Mercosul se mantiver apenas como uma área de livre comércio, significará que os produtos vendidos de um país para outro, dentro do bloco, não pagarão taxas. Mas cada nação poderá fechar entendimentos bilaterais sem depender da aprovação dos demais integrantes do bloco.  

Na última sexta-feira, 24, a Argentina anunciou que se retiraria de todos os acordos em negociação do bloco, à exceção dos já fechados com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA, na sigla em inglês).

Com a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua promessa de abrir a economia brasileira, desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro a ideia de reformulação do Mercosul e do flexibilização da união aduaneira vinha sendo discutida.

Em meio à pandemia do coronavírus, porém, no curto prazo a tendência é que o corpo técnico do Mercosul crie uma regra para deixar claro que Brasil, Paraguai e Uruguai poderão continuar negociando acordos com blocos e países sem o aval argentino.

A norma deverá prever que a Argentina poderá aderir a novos acordos – uma brecha que os membros do Mercosul querem deixar, na expectativa de que um governo mais “pró-mercado” possa assumir a Casa Rosada no futuro.

Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, o Mercosul está em um momento de reestruturação e será forçado a discutir a questão aduaneira depois do anúncio argentino. “Em menor nível, é o que aconteceu com a União Europeia com a saída do Reino Unido. Os membros do Mercosul terão que sentar e discutir”, completa.

Coronavírus

Mesmo antes da retirada da Argentina, a negociação de acordos comerciais estava em pausa desde o início da pandemia do coronavírus, que prejudicou reuniões e conversas.

Para Abijaodi, o momento não é de acelerar acordos comerciais. A CNI pediu ao governo brasileiro que suspenda as negociações de acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. A entidade teme que os termos atualmente na mesa prejudiquem os produtores brasileiros e ampliem em US$ 7 bilhões o déficit comercial com o país asiático.

“Vamos sair da pandemia com empresas debilitadas e um mercado externo extremamente competitivo. Não tem como fechar acordos agora”, completou.

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