Pedro Ventura/Agência Brasília
Pedro Ventura/Agência Brasília

Superintendência do Cade recomenda reprovação da compra da Liquigás pela Ultragaz

O parecer destaca que a operação eliminaria um concorrente relevante do mercado onde as quatro maiores empresas respondem por mais de 85% de toda a oferta

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2017 | 19h41

A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou ao tribunal do órgão a reprovação da compra da Liquigás, controlada pela Petrobrás, pela Ultragaz, do grupo Ultra. A operação foi anunciada em junho por R$ 2,8 bilhões. Na última sexta-feira, 25, o Estadão/Broadcast informou que o parecer deveria sair nos próximos dias.

A palavra final será dada pelo tribunal do Cade. Cabe à superintendência emitir um parecer sobre as fusões e aquisições, o qual o tribunal não é obrigado a seguir, apesar de fazê-lo na maioria das vezes. Se a operação for reprovada pelo conselho, será o terceiro negócio barrado este ano - o Cade já negou as compras da Estácio pela Kroton e da Alesat pela Ipiranga.

O parecer da superintendência destaca que a operação funde as duas principais distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. "A operação significaria a eliminação de um concorrente relevante em um mercado onde as quatro maiores empresas respondem por mais de 85% de toda a oferta", afirma.

Segundo o parecer, a operação geraria sobreposições elevadas na maioria dos Estados, tanto no mercado de GLP envasado quando no a granel. A operação geraria ainda um monopólio no mercado de distribuição de GLP propelente, utilizado em aerossóis.

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Além disso, a superintendência identificou elevadas barreiras à entrada em todos os mercados analisados, devido a restrições regulatórias, dificuldade de acesso ao insumo junto à Petrobrás, além de vantagens exclusivas detidas pelas empresas já consolidadas.

"Embora haja outras distribuidoras de grande porte, também não se acredita que elas tenham incentivos para rivalizar de forma efetiva com a nova companhia, já que as participações detidas pelos agentes são bastante estáveis nos últimos dez anos. Isso demonstra uma baixa agressividade e rivalidade entre os competidores do setor.", completa.

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