REUTERS/Jonathan Ernst
REUTERS/Jonathan Ernst

Trump impõe taxa de importação à China

Barreira a 1.300 categorias de produtos pode chegar a US$ 60 bilhões; chineses dizem que não querem guerra comercial, mas vão se defender

Jamil Chade e Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

22 Março 2018 | 14h03

O presidente americano, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira, 22, um memorando que prevê a imposição de tarifas de até US$ 60 bilhões sobre importações da China, além de restringir transferências de tecnologia (que ele chama de ‘roubo’ de propriedade intelectual) e aquisições, para pressionar os chineses e barrar o que a Casa Branca classifica de práticas injustas de comércio e investimento.

Temendo uma guerra comercial o mercado global fechou em queda. Um dos principais indicadores de Bolsa de Nova York, o Dow Jones, perdeu 2,93%. As bolsas europeias também fecharam em baixa.

O governo Trump alega que os chineses usam de intimidação e subterfúgios para adquirir a tecnologia, o que coloca as empresas americanas na China em desvantagem por meio de acordos de licenciamento injustos, além de desviar empregos dos Estados Unidos.

Em sua defesa, a China diz que melhorou os mecanismos de proteção à propriedade intelectual e que está se movimentando para liberalizar ainda mais a sua economia.

+ ‘Trump nunca imaginou que ganharia a eleição'

O valor de até US$ 60 bilhões equivale a cerca de 10% do que os americanos importam da China. Autoridades dos Estados Unidos disseram que o valor é aproximadamente igual aos cálculos de ganhos anuais perdidos pelas empresas americanas em solo chinês como resultado de joint ventures forçadas e transferência tecnológica.

A indústria americana teria 15 dias para divulgar quais produtos devem ser selecionados para receber tarifas, disseram funcionários da Casa Branca. O representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, selecionou 1.300 categorias de produtos que podem ser cobertos pelas tarifas. Muitos deles são itens de alta tecnologia.

Reação. O governo da China indicou que tomará “todas as medidas necessárias” para defender seus direitos e alerta que considera adotar um pacote de iniciativas contra os EUA.

+ Para Azevêdo, avanço do protecionismo é uma preocupação real

Por meio de um comunicado, Pequim indicou que “não quer uma guerra comercial, mas não tememos nada”. De acordo com os chineses, “se uma guerra comercial for iniciada pelos EUA, lutaremos até o final para defender nossos interesses”.

Ao atacar Washington, os chineses deixaram claro que uma tensão comercial pode causar “desestabilização econômica mundial” e que o consumidor americano também perderia. Desde 1979, quando os dois países voltaram a ter relações diplomáticas, o fluxo comercial entre as duas economias aumentou em 232 vezes. Hoje, os investimentos mútuos chegam a US$ 230 bilhões. 

Segundo os asiáticos, 45 entidades americanas já expressaram preocupação sobre o que poderia ocorrer, caso uma guerra comercial fosse instaurada. O alerta foi tomado horas depois de a Organização Mundial do Comércio (OMC) condenar novamente as práticas comerciais dos americanos. 

Entre os empresários chineses, a ideia de uma retaliação é apenas uma “última opção”. Mas não está descartada. Parte da resposta pode vir na forma de bloqueios ao comércio de soja. No ano passado, a China importou 57% de toda a exportação americana do produto, chegando a US$ 10 bilhões. 

+ ‘Ninguém sairá vencedor’, diz primeiro-ministro chinês sobre guerra comercial contra EUA

Um dos argumentos de Pequim é de que os americanos estariam subsidiando sua produção nacional, criando distorções no mercado. Se optar por implementar algum tipo de barreira, o gesto pode acabar beneficiando o Brasil, concorrente direto dos Estados Unidos. 

Outra que pode ser afetada é a Boeing, que vende metade de seus jatos a cada ano para a China. A empresa estima que suas vendas para Pequim garantem empregos para 150 mil americanos. Mas, numa eventual guerra comercial, parte dos contratos podem acabar indo para a concorrente europeia, a Airbus.

Mesmo no mercado de veículos, uma iniciativa chinesa contra os EUA pode causar sério impacto. Hoje, a General Motors já vende mais carros na China que nos EUA. /COM AGÊNCIAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.