Vamos ajudar governadores em privatizações, diz Mattar

Vamos ajudar governadores em privatizações, diz Mattar

O secretário de Desestatização, Salim Mattar, disse que já conversou com autoridades do Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais sobre o tema; sobre a reforma da Previdência, ele afirmou que o governo ainda mira uma economia de R$ 1 tri

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 16h25

Técnicos do governo irão se reunir com autoridades de cada um dos dez principais Estados brasileiros para ajudá-los no processo de desestatização, afirmou nesta quarta-feira, 3, o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar. Também participarão dessas reuniões a Caixa Econômica Federal e o BNDES.

"Vamos ajudá-los (os Estados) nas desestatizações e privatizações. Vamos fazer road-shows como vocês", disse ele a uma plateia composta principalmente por representantes do mercado financeiro, durante a sexta edição do Bradesco BBI Brazil Investment Forum, que acontece em São Paulo.

De acordo com Mattar, ele já teve conversas com Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Informou ainda que também foi procurado pelo Distrito Federal.

Do lado das empresas estatais, que somam 440, sendo 134 sob o controle da União, Mattar afirmou que Banco do Brasil, Caixa, Petrobras e BNDES serão mantidos e não serão privatizados. Voltou a destacar, contudo, a necessidade de reduzir a participação dos bancos estatais no crédito.

"O BNDES foi usado de forma politicamente incorreta. Vamos desalavancar o BNDES. Queremos um BNDES profissional", destacou.

Ele ainda comparou a situação do Brasil em termos de estatais à China. "A China tem 51.341 estatais. Diante da China, fico até tranquilo. Achei que meu desafio fosse grande, mas o desafio fica menor quando olhamos para a China", comparou Mattar.

O secretário lembrou que a meta do governo é privatizar US$ 20 bilhões em 2019. Até agora, cerca de US$ 1 bilhão foi movimentado, conforme ele.

Previdência

Mattar afirmou ainda que o governo segue debruçado em emplacar uma reforma da Previdência que gere ganhos de R$ 1 trilhão em dez anos, embora economistas renomados calculem a cifra em R$ 600 bilhões. "Estamos convictos de que vamos conseguir. Existe muito barulho. Há a possibilidade de R$ 600 bilhões, mas ainda trabalhamos com cenário de R$ 1 trilhão", disse ele.

Segundo Mattar, o governo busca uma reforma da Previdência "profunda" e com potencial suficiente para iniciar o processo de capitalização. "A reforma vai sair talvez mais cedo do que imaginávamos", afirmou Mattar.

Ele ainda rebateu sua entrevista à Veja, publicada no mês passado, e disse que não está frustrado. "Estou com cara de frustrado?", questionou a plateia presente. Em entrevista à publicação, Mattar disse ter ficado "frustrado" com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de voltar atrás na intenção de privatizar a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) e a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), responsável pelo trem-bala.

"A privatização já está acontecendo. Não estou frustrado. Já vendemos (a refinaria de) Pasadena, aquele pesadelo", destacou Mattar, acrescentando que o governo já movimentou US$ 943 milhões com privatizações em três meses do novo governo.

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