Andrew Kelly/Reuters
Andrew Kelly/Reuters

Bolsa de Nova York fecha mista após dirigentes do Fed apoiarem redução nos estímulos

Executivos do banco central americano disseram ver condições para um aperto no programa de compra dos títulos públicos e na elevação dos juros; Europa e Ásia subiram

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2021 | 17h59

O dia foi positivo para as Bolsas de Europa e Ásia nesta quarta-feira, 4, com investidores observando indicadores econômicos positivos. No entanto, o mercado de Nova York fechou misto, de olho no tom mais 'duro' adotado por dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Em discurso durante evento do Peterson Institute, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, disse que as condições para a primeira alta de juros nos EUA após a crise do coronavírus podem ocorrer já no fim de 2022. O dirigente ainda afirmou que espera recuperação plena do mercado de trabalho americano no mesmo período e que irá defender a retirada gradual dos estímulos já neste ano. Presidente da distrital de St. Louis, James Bullard também apoiou um aperto no programa de compra de títulos públicos.

As falas foram na contramão do defendido pelo Fed em sua última reunião e também pelo presidente da entidade, Jerome Powell, que apontam para uma recuperação ainda desigual da economia e a necessidade da manutenção dos estímulos. Powell mencionou ainda, na semana passada, que ainda não considera subir os juros americanos, atualmente entre 0% e 0,25% ao ano.

Para o TD Securities, os comentários de Clarida colocam pressão sobre o dólar. De acordo com o banco de investimentos, o foco do mercado cambial ficará sobre a trajetória do mercado de trabalho americano, com a divulgação do relatório de geração de vagas, o payroll, na próxima sexta. "Se os dados não decepcionarem, parece que o balanço de riscos apontará para um aperto monetário mais cedo, implicando em um cenário de dólar fraco em 2022 cada vez menos provável", diz a instituição. 

Na agenda de indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços  da zona do euro subiu a 59,8 no mês de julho. Ainda que abaixo da previsão de analistas, o resultado representa o maior nível desde junho de 2006, de acordo com a IHS Markit. Na avaliação da Capital Economics, o dado confirma a rápida recuperação econômica local nos últimos três meses, mas aponta para a permanência de pressões inflacionárias. As vendas no varejo da região, por sua vez, cresceram 1,5% em junho ante maio, como previsto.

Já no mercado asiático, o avanço da variante Delta da covid continuou no radar. O avanço recente nos casos do vírus no Japão, em meio à realização dos Jogos Olímpicos, preocupa e pode atrapalhar a retomada econômica da Ásia.

Bolsas de Nova York

Diante do tom mais duro adotado por dirigentes do Fed, o mercado de Nova York fechou misto, apesar de bater recorde no dia anterior. Dow Jones teve queda de 0,92% e o S&P 500, de 0,46%. O Nasdaq foi na contramão e subiu 0,13%.

Bolsa da Europa

No mercado europeu, o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,61%, enquanto a Bolsa de Londres teve ganho de 0,26%, a de Frankfurt, de 0,88% e a de Paris, de 0,33%. Os índices de Milão e Madri tiveram ganhos de 0,53% e 0,23% cada, mas Lisboa cedeu 0,23%.

Na temporada de balanços, o Commerzbank recuou 5,53%, após anunciar ter revertido o lucro e registrado prejuízo de 527 milhões de euros no segundo trimestre deste ano. Já a Siemens Energy caiu 2,76%, depois de informar queda de 37% nos pedidos à Siemens Gamesa.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático também teve um dia favorável. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen subiram 0,85% e 1,72%, apoiados por papéis do setor de novas energias. A Bolsa de Hong Kong subiu 0,88%, a de Seul, 1,34% e a de Taiwan, de 0,40%. Na contramão, o índice de Tóquio teve baixa de 0,21%, de olho no avanço da covid

Na Oceania, a Bolsa australiana avançou 0,38% e bateu recorde histórico de fechamento. BHP subiu 2,1% e Rio Tinto, 1,5%, diante de altas no preço do minério de ferro.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte queda, pressionados pelas preocupações com a variante Delta e seu impacto na demanda. Já a publicação dos dados semanais de estoques nos Estados Unidos apresentaram uma elevação, enquanto o esperado por analistas era uma queda. Segundo o Departamento de Energia, os barris subiram 3,627 milhões na semana passada, quando o The Wall Street Journal projetava recuo de 2,7 milhões de barris.

Com isso, o WTI com entrega prevista em setembro recuou 3,42%, a US$ 68,15 - perdendo o patamar dos US$ 70. Já o barril do Brent para outubro fechou em baixa de 2,80%, a US$ 70,38 o barril. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E MATHEUS ANDRADE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.