Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa tem melhor desempenho desde janeiro e dólar cai 3,15% em julho

Maior otimismo dos investidores vem da distensão da guerra comercial e do fortalecimento da candidatura de Alckmin, considerado pró-mercado

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 18h13

A menor tensão entre o governo Trump e seus parceiros comerciais e o fortalecimento da candidatura à Presidência de Geraldo Alckmin (PSDB), considerado pró-mercado, após o apoio do Centrão, deram fôlego ao mercado brasileiro, que terminou julho com o melhor resultado mensal desde janeiro deste ano, com alta de 8,88% na Bolsa e queda de 3,15% no dólar. 

O dólar à vista fechou esta terça-feira, 31, com alta de 0,70%, cotado a R$ 3,7554. No mercado de ações, o Ibovespa, principal índice do País, encerrou o dia aos 79.220,43 pontos, em queda de 1,31%. 

Foi o primeiro mês de queda da moeda norte-americana desde janeiro, quando perdeu 3,76% e fechou em R$ 3,19. O mês de julho foi marcado pela falta de atuação extraordinária do Banco Central, mas especialistas alertam que esse ambiente de relativa calmaria no câmbio pode acabar em agosto, quando as eleições devem crescentemente influenciar os preços dos ativos.

Na sessão desta terça, o dólar acabou subindo pelo desempenho da divisa no exterior, que subiu ante moedas como o peso mexicano, argentino e o rand, da África do Sul após a divulgação de indicadores de atividade melhores que o previsto. Em 2018, a divisa dos Estado Unidos avança 13,27% no Brasil.

A última ação extraordinária do BC ofertando contratos novos de swap cambial foi em 22 de junho, quando fez leilão de US$ 22 bilhões. Neste mês, a instituição apenas rolou os contratos que vencem no começo de agosto, totalizando US$ 14 bilhões.

Os especialistas ressaltam que dois fatores, um no mercado externo e outro no doméstico, contribuíram para a queda do dólar no período. No cenário internacional, foi o arrefecimento das tensões comerciais no exterior, sobretudo após o estreitamento das conversas entre a Casa Branca e a União Europeia.

Já no mercado doméstico, o apoio dos partidos do Centrão ao pré-candidato Geraldo Alckmin ajudou a aumentar a percepção nas mesas de operação de que o tucano, um dos nomes preferidos do mercado, têm mais chance de crescer nas pesquisas, pois terá maior tempo no programa eleitoral gratuito.

A melhora do quadro externo e o maior apetite por risco de países emergentes ajudou a atrair recursos externos para o Brasil nas últimas semanas, ajudando a reduzir a pressão no câmbio. Até o último dia 27, foram R$ 4,2 bilhões somente para a Bolsa. Já o fluxo cambial total, estava positivo em US$ 4,6 bilhões até o dia 24.

"Olhando para a frente, claro que o cenário externo vai estar presente e influenciar o câmbio, mas as eleições ganham espaço", ressalta o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. "Estamos entrando em momento de alta volatilidade", afirma ele, destacando que as cotações do dólar podem oscilar conforme o desempenho dos candidatos nas pesquisas.

Os estrategistas da Icatu Vanguarda têm avaliação semelhante: "os ativos locais continuam seguindo o humor global a risco, com uma sensibilidade que deverá se tornar mais elevada a qualquer mudança no cenário eleitoral, à medida que as eleições se aproximam".

Bolsa

O principal índice da Bolsa brasileira terminou o período com a maior valorização mensal desde os 11% de janeiro. A alta no mês foi sustentada em boa parte pelo aumento do apetite por risco no exterior, que trouxe de volta à B3 parte dos recursos externos que haviam abandonado o País.

"Considerando tudo o que aconteceu ultimamente, foi um bom resultado mensal. Mas foi um período de recuperação, uma vez que vimos o índice despencar do pico do ano, de quase 88 mil pontos", disse Alvaro Bandeira, economista da Modalmais.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, quase todas as principais acumularam ganhos acima de 10% em julho. Algumas foram bem além, com altas superiores a 20%, como os papéis de Santander (+25,17%), Usiminas PNA (+21,17%) e Gerdau Metalúrgica PN (+24,43%). Vale ON (+10,59%) e Petrobras PN (+14,72%) também se destacaram em julho.

"Agosto será um mês complicado, pelo menos até a metade, quando teremos maior definição do cenário. Será importante saber, por exemplo, se Lula será candidato ou se ele será capaz de transferir votos. Mas todo esse cenário não necessariamente impedirá que o Ibovespa siga no positivo, buscando algo em torno de 81.500 pontos", disse Bandeira.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor, apesar de o cenário eleitoral ganhar cada vez maior atenção, os investidores em Bolsa seguem bastante concentrados nos balanços corporativos. "A política trouxe poucas novidades nos últimos dias e o mercado ainda reflete a melhora de humor gerada pelo apoio do Centrão a Geraldo Alckmin. Mas ainda há muitas definições pela frente, como a escolha dos vices", disse.

Na análise do pregão da terça-feira, as principais quedas ficaram com as ações do setor financeiro, no dia da divulgação do resultado trimestral do Itaú Unibanco. O banco teve lucro líquido de R$ 6,382 bilhões no período abril-junho, 3,45% maior que o do mesmo período do ano passado e em linha com a estimativa do Prévias Broadcast. Apesar de a última linha do balanço ter ficado dentro do esperado, avaliações diversas sobre outros aspectos do resultado acabaram por avalizar uma realização de lucros no papel, que caiu 4,19%.

A maior queda do dia no Ibovespa ficou com Cielo ON, que perdeu 9,75%. A empresa teve lucro líquido pelo critério IFRS de R$ 817,5 milhões, com queda de 17,8% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado. Ante o primeiro trimestre caiu 18,8%.

Na última sexta-feira, os investidores estrangeiros retiraram R$ 155,405 milhões da B3, o que reduziu o saldo positivo de julho para R$ 4,221 bilhões. Em 2018, o saldo de capital estrangeiro na bolsa permanece negativo, em R$ 5,726 bilhões.

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