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Anúncio sobre reforma da Previdência leva Ibovespa para as máximas

Investidores viram a indicação de que o texto final poderá, de fato, gerar um impacto fiscal relevante para contas públicas do País; dólar fecha a R$ 3,71

Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2019 | 12h10
Atualizado 14 de fevereiro de 2019 | 19h04

O governo fechou nesta quinta-feira, 14, uma proposta de reforma da Previdência para enviar ao Congresso e o anúncio de apenas alguns pontos foi o que bastou para levar o Ibovespa para as máximas, enquanto dólar e juros renovaram mínimas. O índice subir 2,27%, até fechar em 98.015,09 pontos. O dólar à vista, por sua vez, bateu diversas mínimas até terminar com queda de 0,89%, a R$ 3,7198.

O exterior, de alguma forma, já vinha ajudando na recuperação dos ativos domésticos, visto que os principais índices de Nova York tinham diminuído as perdas depois que uma diretora do Fed disse que a redução no balanço da instituição poderia terminar já neste ano. Mais cedo, os mercados foram contaminados por dados ruins dos Estados Unidos e por revisões em baixa para o PIB do país.

No Brasil, entre os itens revelados pelo secretário da Previdência, Rogério Marinho, após sair do encontro com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, está a definição de uma idade mínima de 62 para mulheres e 65 para homens, com um tempo de transição de 12 anos. A economia fiscal prevista, segundo Marinho, ainda é a que Guedes pretendia, de ao redor de R$ 1 trilhão. Apesar da ausência de detalhes, que devem sair oficialmente só na próxima semana, os investidores viram nos pontos conhecidos a indicação de que o texto final poderá, de fato, gerar um impacto fiscal relevante para contas públicas do País.

Apesar desse anúncio ter sido o estopim para o movimento mais pronunciado dos ativos, os agentes já estavam de olho nas discussões sobre a mudança nas aposentadorias e haviam deixado de lado, ao longo da tarde, o mau humor visto na primeira metade dos negócios. Até então, prevalecia a aversão ao risco diante do impacto que a crise que se instalou no Planalto, envolvendo o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, poderia ter sobre a tramitação da reforma da Previdência. Esse tema e a forma como o governo vai lidar com ele devem continuar no radar nos próximos dias.

Segundo Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença, o fato de a idade mínima não ter sido estabelecida na faixa inferior ventilada por integrantes do governo mostrou que Paulo Guedes mantém seu prestígio com o presidente. "O mercado comprou o Guedes, e não o Bolsonaro. E essa idade mínima mostra que Guedes tem força", afirma. 

Com uma arrancada no fim do pregão, apenas cinco papéis encerraram o dia em baixa. Entre as blue chips, os papéis preferenciais da Petrobrás, já em alta com o petróleo, avançaram 3,45%. Até mesmo a Vale, que passou a maior parte do pregão no vermelho, subiu no final e fechou em alta de 0,37%. No setor financeiro, o Banco do Brasil, único papel em alta desde o início do dia, por conta da divulgação de resultados do quarto trimestre, liderou os ganhos (+5,11%). Os outros gigantes do setor também fecharam em forte alta: Bradesco (+3,81%), Itaú (2,66%) e Santander (+2,68). 

Para Álvaro Bandeira, economista do Modal Mais, apesar do ânimo do mercado, ainda é cedo para avaliar se o projeto da reforma da Previdência vai dar conta dos desafios fiscais enfrentados pelo Brasil. "O mercado gostou da questão da idade mínima. Mas ainda falta saber muita coisa. O que está aí não é ruim, mas realmente não basta", diz.

As informações são de que Bolsonaro vai assinar o texto da proposta no próximo dia 20 e enviá-lo ao Congresso. Até lá, o mercado deve especular sobre os outros pontos da reforma e começar a fazer contas sobre a possibilidade de aprovação da reforma ainda no primeiro semestre deste ano. 

Para Pedro Galdi, analista da Mirae, embora haja sempre influência externa no comportamento dos mercados locais, são as apostas em relação à aprovação da reforma que devem ditar o rumo do Ibovespa. "Tem esse temor de desaceleração global e a questão comercial entre China e Estados Unidos, que podem gerar aversão ao risco, mas não há dúvida de que o mais relevante hoje e nos próximos meses será a previdência", afirma.

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