Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa recua 0,6% na semana com aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia; dólar cai

Funcionários do governo dos Estados Unidos dizem esperar um ataque russo à Ucrânia nos próximos dias; em Nova York e na Europa, índices também cederam

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2022 | 14h38
Atualizado 18 de fevereiro de 2022 | 19h18

O clima de aversão aos riscos derruba os mercados acionários nesta sexta-feira, 18, com os investidores de olho nas tensões  entre Rússia, Ucrânia e demais países-membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Seguindo os principais mercados do exterior, a Bolsa brasileira (B3) fechou em baixa de 0,57%, aos 112.879,85 pontos, fechando a semana em baixa de 0,61%. No câmbio, o dólar foi na contramão e recuou 0,52%, a R$ 5,1400.

Funcionários do governo dos Estados Unidos continuam a afirmar que esperam um ataque russo à Ucrânia nos próximos dias, o que pode envolver uma ampla combinação de caças, tanques, mísseis balísticos e ofensivas cibernéticas, com a intenção final de tornar a liderança do país impotente. Autoridades americanas afirmam agora que a perspectiva de evitar a guerra parece muito frágil, e acrescentam que a gestão Joe Biden continuará tentando manter a janela aberta para a diplomacia.

Pela manhã, a indicação de que o secretário de Estado americano, Antony Blinken, deve se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, na próxima semana, contribuíapara alimentar a expectativa de que uma solução diplomática para o impasse sobre a Ucrânia ainda é possível, aponta em nota a Guide Investimentos. O acirramento da tensão entre os separatistas do leste e o governo ucraniano, com relatos de deslocamento de população e ataques pontuais como o que atingiu uma escola ontem, contribui para reforçar a narrativa de que um conflito aberto estaria próximo.

“A imprensa russa confirmou relatos da evacuação de moradores do leste da Ucrânia para a Rússia, e depois (as ações em NY) ficaram negativas após relatos sobre uma explosão em Donetsk”, diz em nota Edward Moya, analista da Oanda. “Os EUA acreditam que o risco é muito alto de que a Rússia invada a Ucrânia e isso significa que Wall Street permanecerá nervosa até vermos uma grande desescalada, o que agora parece improvável. Os riscos de uma guerra regional estão crescendo e esse é um ambiente difícil para o apetite ao risco. Com os mercados de ações dos EUA fechados na segunda-feira para o Dia do Presidente, muitos investidores estão preferindo segurar o dinheiro devido à intensificação da situação na fronteira com a Ucrânia”, acrescenta.

Em Nova York, Dow Jones caiu 0,68%, o S&P 500, 0,71%, e o Nasdaq, 1,23%. Na Europa, o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas do exterior, cedeu 0,81%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 0,32%, a de Paris, 0,25%, e a de Frankfurt, 1,47%.

Também de olho no conflito no leste europeu, o petróleo fechou em alta, com o WTI para março em alta de 0,19% e o Brent para o mesmo mês, de 0,61%. "Com uma possível guerra, muitos países da região poderão ter dificuldades de explorar ou até ter seus campos de exploração atingidos", diz Julia Monteiro, analista da MyCap.

Apesar do desempenho negativo na semana, o primeiro desde o intervalo entre 3 e 7 de janeiro, o Ibovespa fecha o mês e o ano com ganhos de 0,66% e 7,69%, respectivamente. Entre as ações, Petrobras ficou mista, com a ON em baixa de 0,64%, mas a PN, de 0,61%. Vale subiu 0,21%, enquanto Banco do Brasil teve ganho de 2,04% e Bradesco, de 0,57% - o desempenho desses papéis ajudou a atenuar as perdas do índice hoje. No lado oposto, Rumo baixou 8,81% e Locaweb, 7,12%.

Câmbio

Na mínima do dia, o dólar caiu a R$ 5,1175, baixa de 0,96%, ante o real - menor valor desde 31 de agosto do ano passado. Houve relatos de novos ingressos de investidores estrangeiros para a renda fixa e bolsa também, apesar da crise no leste europeu ainda comprometer o apetite por risco e seguir no centro das atenções. A moeda acumula desvalorização de 1,95% na semana e de 3,13% em fevereiro, após ter recuado 4,84% em janeiro. No exterior, o índice DXY, que mede o dólar ante seis rivais, teve alta de 0,25%. 

Hoje, declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, ajudaram a manter a moeda em trajetória de queda. Ele disse não ver motivos para um passo rápido no aumento de juros já no início. "Não há realmente nenhum tipo de argumento convincente de que você precisa ser realmente mais rápido desde o início", disse. 

Para o sócio e economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, o Fed deu sinais de que, apesar do tom "duro", não será "tão agressivo", uma vez que não quer provocar perspectiva de queda expressiva da atividade e dos mercados. A taxa de juros americana - hoje entre 0% e 0,25% - deve atingir no máximo 2% neste ano, podendo chegar em 2,5% em 2023. "As taxas de juros no EUA em 2022 devem aumentar para uma faixa de até 1,0% e 1,25% no final do primeiro semestre, com prolongamento do ajuste para no máximo 2% no final do segundo semestre, que seria o juro neutro estimado", afirma Velho.

Por aqui, o economista acredita que o atual nível do dólar já reflete a possibilidade de taxa Selic na casa de 12,5%. Embora a atenção neste momento esteja voltada à continuidade do fluxo de recursos estrangeiros e aos desdobramentos da questão envolvendo Rússia e Ucrânia, Velho acredita que, a partir da próxima semana, o mercado de voltar a prestar mais atenção a projetos envolvendo preços de combustíveis em andamento no Congresso, sobretudo as PEC no Senado. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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