Andrew Kelly/Reuters - 9/8/2021
Andrew Kelly/Reuters - 9/8/2021

Mercados internacionais fecham em queda, de olho na retomada da economia dos EUA

Com o mercado de trabalho americano registrando desempenho abaixo do esperado, especialistas - e dirigentes do Federal Reserve -, avaliam que desafios gerados pela pandemia ainda afetam o crescimento

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2021 | 18h30

Os principais índices do exterior fecharam sem sinal único nesta quinta-feira, 9, com o investidor voltado para os anúncios e decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos e também da Europa. A capacidade de retomada da economia americana também ficou no radar do mercado.

Hoje, a diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Michelle Bowman afirmou, segundo a Reuters, que continua "otimista com a expansão", e que se os dados chegarem como espera, "provavelmente será apropriado para nós começarmos o processo de reduzir nossas compras de ativos este ano", disse sobre o processo conhecido como 'tapering'. Ela avalia que os dados fracos do mercado de trabalho americano não devem mudar os planos da autoridade monetária.

Hoje, o Departamento de Trabalho americano informou que os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram 35 mil na semana passada, a 310 mil, contra 345 mil no período anterior. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Na semana passada, a geração de novas vagas nos EUA em agosto também decepcionou, ao ficar em apenas 235 mil.

Já o presidente da distrital de Chicago do Fed, Charles Evans, afirmou que tem visto crescimento econômico "forte" nos EUA, mas ponderou que os desafios gerados pela pandemia de covid-19 ainda persistem. Para o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, a economia dos EUA se mantém numa "posição bastante forte" e a disseminação da variante Delta não interrompeu ou reverteu a recuperação do país, ainda que tenha "definitivamente desacelerado o ritmo de progresso". Ele acredita que o Fed conseguirá iniciar a gradual redução de suas compras de ativos ainda este ano.  

Na visão da Edward Moya, analista da Oanda, a Bolsa de Nova York não fará um grande movimento "a menos que a inflação aqueça ou que a variante Delta desacelere para que a economia possa retomar a reabertura". Para ele, os pedidos de auxílio desemprego semanais indicaram uma continuidade na retomada, sinalizando que "as perspectivas para o mercado de trabalho continuam otimistas"

Ainda sobre política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) seguiu o esperado ao manter os juros, mas disse que passará a comprar ativos em ritmo mais lento. Segundo um dirigente, o movimento, no entanto, não é uma forma de 'tapering'. A presidente do BCE, Christine Lagarde, demonstrou otimismo sobre a retomada na zona do euro. A entidade também revisou para cima projeções para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e o emprego na zona do euro neste ano.

Bolsa de Nova York

Em resposta ao cenário incerto para a economia dos EUA, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,43%, o S&P 500 caiu 0,46% e o Nasdaq recuou 0,25%.

Bolsas da Europa

Apesar da decisão do BCE, o mercado europeu fechou sem sinal único, com investidores de olho no cenário econômico dos EUA. O índice Stoxx 600 cedeu 0,06%, enquanto a Bolsa de Londres fechou em baixa de 1,01%. No lado positivo, o índice de Frankfurt subiu 0,08% e Paris teve ganho de 0,24%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 0,13%, 0,43% e 0,45% cada.

Bolsas da Ásia

Influenciado pelo recuo de Nova York no dia anterior, o mercado asiático fechou em queda hoje. A Bolsa de Tóquio caiu 0,57, a de Seul, 1,53% e a de Hong Kong baixou 2,30%. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen subiram 0,49% e 0,07% cada. A Bolsa de Taiwan teve leve valorização de 0,20%.

Na Oceania, a bolsa australiana baixou 1,90%, registrando sua maior perda diária em sete meses.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta quinta, após um pregão volátil. Os preços mantiveram ligeira alta após o Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos mostrar que os estoques da commodity, assim como os de gasolina e destilados, recuaram na semana passada. Segundo o órgão, os estoques de petróleo caíram 1,528 milhão de barris na última semana, menos do que o previsto por analistas.

O petróleo WTI para outubro fechou em queda de 1,67%, a US$ 68,14 o barril, em Nova York, e o Brent para novembro caiu 1,58%, a US$ 71,45 o barril, em Londres. /MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA, ILANA CARDIAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

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