FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Mesmo com desistência de Guedes, Bolsa fecha em alta de 1,8%

O Ibovespa terminou esta terça-feira aos 95,3 mil pontos, impulsionado principalmente pelos papéis da Petrobrás, que avançaram mais de 4%

Paula DIas e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 18h12

Apesar do desconforto causado pela desistência do ministro da Economia, Paulo Guedes, de comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta terça-feira, 26, para explicar a reforma da Previdência, o Ibovespa renovou máximas à tarde e fechou com ganho de 1,76%, aos 95.306,82 pontos. A forte alta quebrou uma sequência negativa de cinco quedas consecutivas.

O bom humor, contudo, não se estendeu ao mercado cambial. O dólar fechou em alta em meio ao entendimento de que a tramitação da reforma da Previdência pode demorar mais. Em dia de dólar em alta ante moedas emergentes, a divisa americana terminou o dia com valorização de 0,29%, a R$ 3,8675. Já o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, bateu máximas na etapa vespertina. Com alta de 3,27% em março, em meio à arrancada na semana passada por conta da crise política, o dólar praticamente zerou a queda no ano.

As ações ligadas a commodities garantiram a alta do índice da B3, sobretudo dos papéis da Petrobrás, que avançaram mais de 4%, impulsionados pela alta dos preços do petróleo e a expectativa de definições sobre a cessão onerosa. O avanço das bolsas em Nova York também favoreceu os negócios locais.

Já perto do encerramento do pregão, governo e oposição fecharam um acordo para que Guedes compareça à CCJ no próximo dia 3 de abril. No entanto, o presidente da comissão, Felipe Francischini (PSL-PR), reclamou da falta de uniformização do discurso sobre a Previdência e acrescentou que o relator deve ser designado ainda nesta semana, ainda que, segundo ele, a indefinição sobre esse nome não justificasse a ausência do ministro na CCJ.

Desde cedo, Guedes concentrava as expectativas, sobretudo após a informação de que, diante da crise política, deveria tomar a frente nas articulações políticas.

Enquanto a oposição recolhia assinaturas para a convocação de Guedes à CCJ, o presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que se empenharia para a aprovação da Previdência, foi ao cinema, para assistir à pré-estreia de um filme religioso. Isso dissipou o ânimo do mercado na primeira parte dos negócios.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da HCommcor, as oscilações mais bruscas, como as vistas nos últimos dias, são característica de um mercado sensível, que opera basicamente o giro de curto prazo. Na visão dele, o movimento foi uma mera correção, com alguns papéis reagindo mais que outros, em virtude do noticiário corporativo ou expectativas específicas.

"O mercado vem reagindo mais a palavras do que a fatos concretos. Foi o que aconteceu na última semana, quando um desentendimento entre pessoas ligadas ao governo gerou um movimento exagerado de perdas na bolsa. De concreto, nada aconteceu na semana passada, assim como não houve hoje", disse. Ferreira lembra ainda da proximidade do final do mês, período em que há movimentação de ajuste de carteiras.

Para Jayme Ferreira, diretor de câmbio da corretora Intercam, o dólar deve seguir girando acima de R$ 3,85 e pode furar novamente o teto de R$ 3,90 no curto prazo caso não haja uma melhora no relacionamento entre o governo e as principais lideranças na Câmara, em especial o presidente da Casa, Rodrigo Maia. "Se não houver alívio no estresse político, o dólar pode superar R$ 3,90 novamente e até buscar os R$ 4", afirma Ferreira, acrescentando que a indicação de um relator para a CCJ e a ida de Guedes podem, contudo, desanuviar o ambiente.

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