Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Pressionada por Bradesco, Bolsa cai após ganhos em três pregões

Investidores entraram com ação contra o banco nos EUA pelo envolvimento na Operação Zelotes; valorização do índice Bovespa no início do mês também impulsionou movimento de venda de papéis para a realização de lucros

Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2016 | 18h24

Depois de três quedas consecutivas, a Bovespa sucumbiu a um leve movimento de realização de lucros e terminou o dia em baixa de 0,37%, aos 50.431,80 pontos e com R$ 4,88 bilhões em negócios. Nas três sessões anteriores, os ganhos haviam somado 4,43%. Apesar da agenda relevante, que contou com a fala da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, os negócios acabaram por ser guiados essencialmente pelas oscilações das commodities e pelo noticiário corporativo.

As análises das declarações de Yellen convergiram para a percepção de que uma elevação de juros nos EUA não deve ocorrer em junho, como a própria dirigente havia sinalizado em maio. Relatórios de bancos internacionais interpretaram a fala da presidente do Fed como um indicativo de que o BC americano deverá, sim, elevar os juros em 2016, mas não agora. Para a maioria, as chances de elevação estão mais concentradas na reunião de política monetária marcada para setembro. 

Com volume de negócios reduzido, a Bovespa já havia iniciado o dia demonstrando fraqueza. Chegou a subir 0,60% pela manhã, mas passou a alternar altas e baixas até se firmar definitivamente em queda, no final da manhã. O desempenho negativo das ações do setor bancário foi determinante para o sinal negativo e foi comandado por ações do Bradesco. Os papéis reagiram negativamente à notícia de que um grupo de investidores ingressou com ação coletiva na Justiça dos Estados Unidos contra a instituição, devido ao seu envolvimento na Operação Zelotes. Bradesco ON e PN caíram 0,82% e 0,58%, respectivamente, e ajudaram a puxar para baixo os demais papéis do setor financeiro. 

Por outro lado, as ações de mineração e siderurgia foram destaque de alta, acompanhando os ganhos de 2,2% do minério de ferro no mercado chinês. Usiminas PNA subiu 5,49% e liderou as valorizações do Ibovespa. Vale ON avançou 4,00% e Gerdau PN ganhou 3,93%.

O setor de educação também se destacou, com a notícia de que a Ser Educacional também está interessada em uma fusão com a Estácio. Na semana passada, a Kroton admitiu estar estudando uma proposta para a concorrente. Com isso, Estácio ON terminou o dia em alta de 4,68%, enquanto Ser Educacional, que não faz parte do Ibovespa, subiu 1,06%. Já Kroton ON caiu 2,16% e esteve entre as maiores quedas do índice. A alta dos preços do petróleo sustentaram as ações da Petrobrás durante boa parte do dia, mas os papéis perderam fôlego ao longo da tarde, cedendo às correções de preços. No final do pregão, Petrobrás ON caiu 0,09% e Petro PN, 1,28%.

O cenário político seguiu no radar dos investidores, mas se manteve em segundo plano. O mercado vem preferindo confiar no potencial da equipe econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a repercutir a instabilidade no ministério do governo Michel Temer. Em meio a denúncias contra ministros, os investidores acompanharam ainda os desdobramentos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, também envolta em novas acusações. 

Nesta tarde, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou um recurso do PT que tentava suspender a reunião da comissão do impeachment no Senado convocada para hoje. Já o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), voltou atrás da decisão de reduzir o rito do processo em 20 dias. Para evitar constrangimentos no governo, a mudança foi aceita pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), autora da questão de ordem, que já adiantou que não irá recorrer.

Câmbio. Depois de cair pela manhã com a alta do petróleo, o dólar ampliou a queda durante a tarde, apoiado no discurso de Janet Yellen e na ampliação do ganho do petróleo Brent acima dos US$ 50 por barril em Londres. 

A moeda no mercado à vista fechou em baixa pela quarta sessão consecutiva, aos R$ 3,4913 (-0,96%) - menor valor desde 17 de maio, quando encerrou cotado a R$ 3,4895. Na mínima, à tarde, caiu a R$ 3,4853 (-1,13%) e, na máxima, pela manhã, subiu até R$ 3,5278 (+0,07%).

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