Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Top Picks: Empresas ligadas a commodities, bancos e exportadores podem se destacar em dezembro

Mercado passa por muitas incertezas devido à variante ômicron do coronavírus e a PEC dos Precatórios; apostas para o último mês ficam restritas a alguns poucos setores, que de toda forma não são consenso entre as casas consultadas

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2021 | 21h00

O mês de dezembro começou com o predomínio da volatilidade nos mercados. A bolsa de valores brasileira alternou momentos de euforia com pessimismo, influenciada pelo ambiente macroeconômico de inflação, desemprego e juros altos, em meio a idas e vindas da votação no Senado da PEC dos Precatórios. No cenário externo, predominaram as preocupações com a variante ômicron do coronavírus, que afetaram não somente as bolsas como as cotações do petróleo.

Nesse caldo de incertezas, as apostas para o último mês ficam restritas a alguns poucos setores, que de toda forma não são consenso entre as casas consultadas pelo Estadão/Broadcast.

Do lado positivo, analistas citam que empresas ligadas a commodities podem ter boa performance, como as de petróleo, impulsionadas pelos preços do brent, que se mantêm em patamar elevado. Nesse segmento, a preferência fica com Petrobras, sobretudo depois do anúncio de mudanças no pagamento dos dividendos e da divulgação do Plano Estratégico a vigorar de 2022 a 2026.

Ainda com relação a commodities, empresas de siderurgia e mineração podem proporcionar bons retornos. Segundo a Guide Investimentos, nesse setor, a preferência é pela Gerdau, que tem se mostrado bastante resiliente frente às adversidades do mercado brasileiro e simultaneamente se beneficia do mercado norte-americano, onde atua com margem operacional expressiva.

O setor, no entanto, está muito sujeito ao comportamento do governo chinês, e suas medidas para o setor imobiliário local, que é um dos grandes impulsionadores do crescimento econômico, conforme observa Vitor Suzaki, do Banco Daycoval.

Os bancos e seguradoras também estão na lista dos que podem garantir um bom retorno em dezembro, em razão da alta dos juros. Na ultima reunião do ano, na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar novamente a taxa Selic, que está em 7,75% no momento, mantendo a tendência altista.

E por fim, nesse grupo de expectativas positivas, aparecem os setores exportadores, onde estão as empresas de proteína animal (frigoríficos) e de papel e celulose, como Klabin e Suzano. "São segmentos que têm uma grande exposição ao dólar, o que pode servir como uma proteção para os portfólios tendo em vista a dinâmica volátil do mercado local", ressalta Rodrigo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora.

Já as empresas muito relacionadas ao desempenho da economia brasileira devem ficar no terreno negativo em dezembro, na opinião dos analistas. Nesse grupo estão as varejistas e a construção civil, que são muito influenciadas pelos juros elevados, pela inflação de custos e perda do poder de compra do consumidor.

No caso do varejo, as que têm uma parcela importante das receitas proveniente do e-commerce estão sofrendo o impacto adicional de um cenário competitivo cada vez maior, com o avanço das empresas estrangeiras no mercado local.

Suzaki, do Daycoval, pondera que os fatores que até agora pesaram sobre a bolsa podem dar uma trégua, após o encaminhamento da questão fiscal, com a aprovação da PEC dos precatórios na quinta-feira. Ele pontua que os juros futuros devolveram boa parte dos prêmios e a desaceleração econômica pode atenuar o aperto monetário pelo Banco Central. Se isso acontecer, ativos do setor imobiliário, shoppings, concessionárias e elétricas tendem a se beneficiar.

Com relação às recomendações para dezembro, a Ágora trocou três ações de sua carteira Top Picks, retirando Azul PN, Lojas Renner On e Santos Brasil ON e colocando no lugar Multiplan ON, Petrobras PN e Taesa Unit. Permaneceram Ambev ON e Itaúsa PN.

O Banco Inter trocou apenas duas ações. Saíram Marfrig ON e Itaú PN para entrar Banco do Brasil ON e Multiplan ON. Continuam Energias do Brasil ON, Gerdau PN e Lojas Renner PN.

Na carteira da Guide Investimentos estão CPFL ON, Itaú PN, Klabin Unit, Petrobras PN e Vibra Energia ON.

A Necton manteve apenas Natura ON na carteira de dezembro. Decidiu retirar Americanas SA ON, Blau ON, Equatorial ON e Petz ON para colocar no lugar Lojas Renner ON, Suzano ON, Vale ON e Weg ON.

A Planner retirou de sua carteira mensal a Rede D'Or ON e colocou JSL ON. As demais ações são Grendene ON, Petrobras PN, Telefônica Brasil ON e Weg ON.

Com relação às carteiras para a próxima semana, a Ativa retirou Eztec ON, Cosan ON, Itaú PN e Carrefour ON e entraram Bradespar ON, 3R Petroleum, Magazine Luíza ON e Lojas Renner ON. CSN ON permaneceu.

O Banco Daycoval retirou Eneva ON e colocou TIM ON, deixando CCR ON, Copasa ON, Petz ON e Suzano ON.

A carteira semanal da Elite ficou apenas com Petrobras PN. Saíram Bradesco PN, Equatorial ON, Alpargatas ON e Klabin Unit. Entraram BTG Pactual Unit, Cyrela ON, Inter PN e Vale ON.

A Órama trocou Suzano ON por Petrobras PN. As demais permaneceram: Alliar ON, Energias do Brasil ON, Telefônica ON e Unipar PNB.

Na carteira da Terra, houve apenas uma alteração. Saiu Rumo ON e entrou Usiminas PNA. Ficaram B3 ON, Bradesco PN, BR Malls ON e Cemig PN.

 

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