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Chilena, Sky Airlines volta ao Brasil e aposta em modelo de baixo custo para ganhar mercado

Companhia operou no País entre 2014 e 2016; nova investida vai apostar no modelo low cost

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2018 | 13h03

A companhia chilena Sky Airlines aposta no modelo de low cost para ganhar a preferência dos brasileiros que pretendem voar. A empresa retorna ao Brasil depois de ter operado no País entre 2014 e 2016, mas a diferença principal dessa nova investida, segundo o diretor regional de vendas, Jaime Fernandez, é o modelo de custo reduzido, projeto iniciado em 2015 pelo grupo.

A empresa iniciou em 6 de novembro voos para o Rio de Janeiro e Florianópolis, sendo este último com operação até março de 2019. Em 17 de dezembro, a companhia vai iniciar voo também para São Paulo. Todos têm origem em Santiago, no Chile. A frequência semanal dessas linhas é de quatro para Florianópolis, seis para o Rio de Janeiro e cinco para São Paulo. "O objetivo é tornar isso diário para Rio e São Paulo", disse Fernandez, sem estipular prazo, o qual dependerá de "condições de mercado".

Fernandez explicou, em café com jornalistas em São Paulo, nesta terça-feira, que o modelo low cost aposta no voo como uma commodity. O lucro da empresa vem mesmo de serviços oferecidos ao passageiro durante o voo. "A gente vende o despacho da mala, o embarque preferencial e uma serie de produtos adicionais que complementam a diferença de viagem", disse.

O modelo de low cost no Chile adotado pela empresa, segundo Fernandez, trouxe uma redução de 30% no preço médio das passagens aéreas no país, para a faixa de US$ 60. O executivo não deu números exatos, mas disse que este porcentual será o objetivo que o grupo poderá tentar alcançar também no Brasil.

Fernandez apontou os custos menores para o bilhete como um diferencial contra grandes empresas no Brasil, como a Gol, que tem mais de 30% de participação do mercado local e também adota técnicas do low cost para melhorar seu negócio.

"O que a gente tem visto na indústria em geral é que o modelo tem uma convergência. Muitas empresas tradicionais do mundo adotam as melhores práticas da empresa low cost. Aumentar a produtividade, tentar negociar taxas mais baratas com os aeroportos, reduzir a comida a bordo etc. Mas é diferente adotar e ser uma companhia low cost. A principal diferença é que a gente está comprometido com a implementação do low cost e quer trazer tarifas menores", disse.

A vinda da companhia para o Brasil coincide com a mudança na regulamentação no transporte de bagagens, que retirou a obrigatoriedade do despacho no preço da passagem. O executivo afirmou que a mudança é fundamental para a formulação de preços, mas negou que o retorno ao País tenha acontecido por exclusividade da mudança. "A gente acredita que para o modelo funcionar na sua máxima plenitude ele tem de ter liberdade. A gente vê com bons olhos a mudança, mas a gente viria mesmo sem ela. Ajustaríamos o modelo", defendeu.

A companhia latina fará investimento de US$ 1,6 bilhão na renovação de sua frota, conforme anunciou Fernandez. O investimento ocorrerá entre 2018 e 2023, sendo que quatro deles já chegarão neste ano. "Nosso objetivo é ter, em 2023, 25 aviões", disse. Hoje a empresa tem 15 aeronaves e transporta cerca de 25% dos passageiros domésticos no Chile e região. Em agosto deste ano a empresa também anunciou sua expansão para o Peru, que se concretizará com o primeiro voo comercial durante o segundo trimestre de 2019.

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