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Duratex muda nome para Dexco e anuncia investimento de R$ 2,5 bi para ampliar produção

Fabricante de materiais de construção dona de marcas como Deca, Hydra, Portinari e Durafloor aposta no crescimento do crédito para construção e reforma de imóveis

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2021 | 09h36

A fabricante de materiais de construção Duratex, dona de marcas tradicionais como Deca, Hydra, Portinari e Durafloor, anunciou na quinta-feira, 15, um plano de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o período de 2021 a 2025, para expandir sua capacidade de produção de painéis de madeira, revestimentos cerâmicos, louças e metais sanitários. A empresa também mudou de nome e agora passa a se chamar Dexco.

A maior parte dos recursos será aplicada na divisão Deca (louças e metais), que receberá R$ 1,1 bilhão. Na sequência vêm as divisões de cerâmicos, com R$ 620 milhões, e madeira, com R$ 500 milhões.

Outros R$ 100 milhões serão gastos com a aquisição de participação minoritária na varejista de materiais ABC da Construção. O plano prevê também R$ 100 milhões para formação de um fundo voltado à aquisição de startups.

“Estamos nos preparando para um novo ciclo de investimentos. O objetivo é crescer sempre”, afirmou o presidente da Duratex, Antonio Joaquim de Oliveira, em entrevista ao Estadão/Broadcast. “Todas as nossas fábricas, em todas as divisões, estão operando ‘full’. Esse é o sinal mais evidente que precisamos aumentar a capacidade.”

O executivo disse ainda que está otimista com os setores de construção civil, arquitetura e decoração nos próximos dois a três anos pelo menos. “Existe um conjunto de fatores favoráveis a esses negócios.”

Oliveira destaca que o ambiente de juros baixos, apesar da recente escalada da Selic, seguirá favorecendo a tomada de financiamento para compra, construção e reforma de imóveis. Há também um grande número de canteiros de obras que serão abertos após o boom de lançamentos de prédios residenciais. Por fim, as pessoas têm valorizado mais as próprias residências desde a chegada da pandemia, mostrando-se mais inclinadas a reformas e redecorações, já que passam mais tempo dentro de casa. “A valorização das moradias é um fenômeno global”, ressalta o CEO.

Divisão do dinheiro

A maioria dos investimentos será destinada à ampliação da capacidade por meio de modernização das fábricas e superação de gargalos. O plano inclui a construção de uma única planta nova - para produção de cerâmicos, em Botucatu (SP). 

A nova unidade vai custar R$ 600 milhões e representará um incremento de capacidade de 35%, o equivalente a 42 milhões de metros quadrados em pisos e azulejos. A cidade foi escolhida pela proximidade de São Paulo, maior mercado consumidor de materiais do País, além de acesso fácil a matérias-primas e fontes de gás natural. O segmento de cerâmicos também receberá R$ 20 milhões para modernização das outros quatro fábricas localizadas em Santa Catarina.

Por sua vez, a divisão Deca vai ampliar sua capacidade de produção de metais em 35% até 2024, com investimento de cerca de R$ 600 milhões, enquanto a linha de louças subirá em 30% no período, mediante aporte de aproximadamente R$ 550 milhões. Os recursos serão destinados para a compra de equipamento, automação de processos e ampliação de galpões das fábricas de São Paulo e Jundiaí.

Na divisão madeira, serão aplicados R$ 90 milhões para aumentar em 10% a capacidade de produção de painéis até 2023; e R$ 180 milhões em três novas linhas de revestimento de painéis, aumentando em 45% a capacidade em produtos revestidos, de maior margem.

A maior fatia do bolo da divisão madeira, de R$ 240 milhões, será usada na expansão da base florestal da Duratex na Região Nordeste, passando dos atuais 12 mil para 40 mil hectares até 2026. “Essas florestas plantadas podem servir lá na frente para fazermos uma nova fábrica de painéis, alimentar um projeto de energia, exportar cavaco ou ampliar nossa futura produção celulose solúvel. O investimento em floresta é praticamente uma compra de opção”, afirma Oliveira.

Dentro do seu plano de investimentos, a Duratex anunciou também a compra de uma participação minoritária (o porcentual não foi revelado) na varejista ABC da Construção por R$ 100 milhões. A companhia vende materiais de construção tanto pela internet quanto por lojas físicas - são 93 unidades em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, com 15 centros de distribuição e atendimento a 350 cidades, com entregas em até 48 horas.

A Duratex já era parceira da ABC, segundo Oliveira. O investimento servirá para o grupo "entender de perto" a digitalização do varejo de materiais. A Duratex terá um assento no conselho da ABC, mas não fará parte da gestão no dia a dia.

Por fim, o plano abrange ainda a formação de um fundo de R$ 100 milhões para comprar participações em startups. A ideia é entrar em negócios inovadores, que possam abrir os olhos do grupo para oportunidades de ganhos de faturamento, produtividade e eventuais disrupções mais profunda das atividades, conforme antecipou o Broadcast em reportagem de 24/6.

Nova cara

A companhia ainda anunciou uma grande mudança na sua identidade. A partir de agora, passará a se chamar Dexco. A ideia é criar um nome que faz jus ao conglomerado em que se tornou a companhia, com atuação em diversos segmentos.

O nome Duratex vem desde a fundação da empresa, há 70 anos, e se confundia com sua linha de produtos de madeira. Com o novo nome, o código das ações negociadas em Bolsa também vai mudar. A partir de 19 de agosto, será DXCO3 em vez de DTEX3.

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