Andre Dusek/Estadão
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Especialistas celebram resultado do leilão de blocos do pré-sal

Magda Chambriard, consultora da FGV Energia e ex-diretora da ANP, e Antônio Guimarães, diretor de Exploração e Produção do IBP, acreditam que resultado do leilão foi positivo

Entrevista com

Magda Chambriard, consultora da FGV Energia e ex-diretora da ANP, e Antônio Guimarães, diretor de Exploração e

Denise Luna e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 04h00

+ Governo vende 3 de 4 blocos do leilão do pré-sal e arrecada R$ 3,15 bilhões

Qual a sua avaliação sobre o leilão?

O 4º leilão do pré-sal, sob regime de partilha de produção, reafirma o que já é patente: o pré-sal tem uma escala diferenciada, seu potencial é imenso, e está atraindo a atenção das grandes petroleiras internacionais. Interessante lembrar que, no primeiro leilão do pré-sal, em 2013, muito se falou sobre a prerrogativa legal da Petrobrás de participar de um consórcio e, caso não fosse vencedora, migrar para outro, arcando com a oferta vencedora. Esse mecanismo foi considerado por muitos como sendo o motivo de termos tido apenas uma oferta, naquela época. Nós, na ANP, não concordávamos com essa visão. Hoje vimos que o mecanismo funcionou e não impediu a concorrência. Ao contrário, dos 4 blocos ofertados, em 2 a Petrobrás participou do consórcio “perdedor” e exerceu seu direito legal de migrar para o vencedor, arcando com melhor proposta para a União.

O que significa para o País a presença de grandes empresas como as que conquistaram blocos hoje no leilão?

Mais petroleiras no País significa mais tecnologia, mais investimentos disponíveis para o desenvolvimento das áreas, mais discussão sobre o que seria o melhor projeto de desenvolvimento. 

Quais as perspectivas para a indústria do petróleo no Brasil nos próximos anos? 

As perspectivas estão atreladas às possibilidades de as empresas recomporem seus portfólios. Após anos sem investimentos em aquisição de novas áreas, e com preços até recentemente na casa dos US$ 60 por barril, as petroleiras e seus investidores se concentravam em ativos de muito menor risco. Vimos áreas de novas fronteiras postas em licitações que acabaram desertas. Nesse ponto, acredito que o pré-sal tenha sido, para as grandes petroleiras, um verdadeiro alento. Áreas grandes, de imenso potencial e baixo risco. 

O preço do petróleo foi um atrativo para o leilão? 

Acredito que estamos em tendência de alta, por diversas questões de geopolítica. Bom para o desenvolvimento do pré-sal, ruim para o preço do diesel na bomba. Temos de estar preparados para esse cenário.

Como o sr. avalia o leilão?

O resultado foi muito bacana. Teve um bloco com grande atratividade (Uirapuru), pelo qual concorreram 11 empresas, o que demonstra que o Brasil está num outro cenário. As principais propostas feitas pelos consórcios que não contaram com a Petrobrás demonstram que houve competição, o que agrega valor ao País. O bloco que não foi vendido (Itaimbezinho) não era bom mesmo, senão teria sido vendido. O leilão foi positivo por todos os ângulos – ágios, investimentos e receitas. Prevemos grandes investimentos, geração de emprego e renda. Talvez a sociedade não tenha noção do valor socioeconômico que os leilões trarão no futuro. Isso se houver a continuidade desse processo. A gente precisa que esse processo continue.

Por que Três Marias teve ágio maior que Uirapuru, considerado o mais atrativo?

As empresas fazem suas ofertas seguindo a lógica de risco e retorno. Em Uirapuru, a oferta foi alta porque as informações (disponibilizadas pela ANP) mostravam que a chance de descobrir muito petróleo na área é grande e que a produtividade será alta. Olhando Três Marias, o risco pode ser maior, porque havia menos informação disponível. Mas a análise das empresas foi melhor do que da própria ANP. Não acho que houve subavaliação do governo. A grande diferença é que cada companhia tem sua melhor forma de enxergar valor. Essa é a beleza do processo competitivo.

A que o sr. atribui a estreia da Chevron no pré-sal?

A empresa já tinha entrado nos leilões de concessão (de pós-sal). Não é surpresa que, após os processos que o País passou para tornar o ambiente de negócio mais atrativo, tenha optado também pelo pré-sal. Tudo está atrelado ao fato de o Brasil estar se apresentando de forma mais atrativa. Todas as maiores empresas do mundo estavam lá (no leilão). As grandes petroleiras estão nos projetos de shale (reservatórios não convencionais) norte-americano, que dá resposta mais rápida às empresas. Mas os grandes volumes vão vir dos grandes reservatórios de águas profundas, de projetos de longo prazo como o pré-sal.

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