Regis Duvignau/Reuters
Regis Duvignau/Reuters

Ghosn tem febre alta e família do executivo pedirá ajuda ao Itamaraty

De acordo com advogado brasileiro do executivo, caso agora é uma questão humanitária e viola garantias básicas

Cátia Luz, O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2019 | 21h43

Preso desde novembro no Japão, o ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn está completamente isolado no centro de detenção de Tóquio. Segundo a imprensa japonesa, o executivo, que não tem acesso aos familiares e só se comunica com o exterior por meio de um advogado japonês, estava com febre alta, o que obrigou à suspensão de um interrogatório.

De acordo com o advogado Motonari Otsuru, um médico prestou atendimento a Ghosn, de 64 anos, que estaria “cansado da longa detenção e dos interrogatórios”. O executivo está preso há quase dois meses na capital japonesa sob acusação de fraude fiscal. 

Em comunicado, a mulher de Ghosn, Carole Ghosn, afirmou que soube da notícia pelos jornais. Ela diz que as autoridades japonesas se recusam a esclarecer se o executivo foi transferido para uma enfermaria ou se será permitido à família falar com a equipe médica.

“Estou suplicando às autoridades japonesas que nos forneçam qualquer informação sobre a saúde do meu marido”, escreveu. “Estamos com medo e muito preocupados que sua recuperação seja complicada, enquanto ele continua a suportar condições tão duras e tratamento injusto.” 

Família pede ajuda ao Itamaraty

Para o advogado brasileiro do executivo, José Roberto Castro Neves, o caso agora é uma questão humanitária. “Há uma violação das garantias básicas, da integridade física de Ghosn. De acordo com Castro Neves, a família vai solicitar que o Itamaraty tome medidas. 

Em sua primeira aparição pública, durante depoimento à Corte Distrital de Tóquio, na segunda-feira, Ghosn, que entrou algemado, aparentava estar mais magro do que antes da prisão e exibia fios brancos na raiz de seus cabelos, conforme pessoas presentes na audiência. 

Em sua fala, o executivo, a quem é dado o crédito de ter resgatado a Nissan da beira da falência duas décadas atrás, disse que foi “equivocadamente acusado e injustamente detido com base em acusações infundadas e sem mérito”

Na última quarta-feira, foi a vez do jornal  Wall Street Journal, em editorial, questionar condução das investigações contra Ghosn. Na avaliação da publicação, trata-se de um dos casos “mais estranhos no mundo dos negócios”.

Para o WSJ, a prolongada prisão do executivo é uma pressão crescente sobre a Renault para que destitua Ghosn de sua presidência – a montadora francesa tem uma aliança com a Nissan e a Mitsubishi Motors, liderada pelo brasileiro.  “(...) Essa aliança incomoda cada vez mais os japoneses; é possível presumir que a inquisição sobre Ghosn seja parte de um esforço japonês para dissolver a aliança montada pelo executivo.”

Segundo o WST, os procuradores públicos estão adicionando acusações que necessitam de investigação, para que possam manter o executivo preso, nos termos das leis japonesas.  Em referência à Alice no País das Maravilhas, o jornal americano recorre à lógica da Rainha de Copas, do clássico de Lewis Carroll, para definir o tratamento dado ao executivo: “primeiro a sentença e depois o veredicto”.

 

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