Gonzalo Fuentes/ Reuters
Gonzalo Fuentes/ Reuters

Operadoras adiam inauguração do 5G nos EUA após companhias aéreas apontarem riscos

O problema envolve uma nova banda de serviço 5G sem fio rápido que está localizado perto das frequências usadas por equipamentos que calculam altitude de aeronaves

Todd Shields e Alan Levin, Washington Post Bloomberg, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2022 | 14h18

As operadoras AT&T e Verizon Communications concordaram em adiar por duas semanas a inauguração de um novo serviço de 5G que as companhias aéreas disseram poder interferir nos sistemas das aeronaves e representar um risco à segurança. As duas empresas divulgaram declarações separadas na segunda-feira, 3, à noite, dois dias antes do lançamento planejado para 5 de janeiro e um dia depois de rejeitarem um pedido de adiamento feito pelas autoridades de transporte dos EUA. 

A medida foi tomada depois de ameaças de ações judiciais por parte das companhias aéreas e de uma enxurrada de pedidos de adiamento dirigidos à indústria de telecomunicações e à Casa Branca por parte de grupos do setor de aviação. 

A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), agência reguladora do setor no país, estava planejando emitir centenas de avisos com restrições específicas para pistas de aeroportos, heliportos e outras rotas de voo, o que poderia causar interrupções significativas no sistema de aviação.

O que causou o problema

O problema envolve uma nova banda de serviço 5G sem fio rápido que está localizado perto das frequências usadas por equipamentos que calculam altitude de aeronaves. Grupos de aviação e a FAA temem que isso possa comprometer a segurança, especialmente em condições de baixa visibilidade. As empresas de telefonia móvel e a Comissão Federal de Comunicações (FCC), que aprovou o serviço, disseram que não há risco.

"Está claro que este lançamento irresponsável do 5G não estava pronto para ser feito", disse Joe DePete, presidente da Associação de Pilotos de Linha Aérea, em um comunicado. "Agora começa o verdadeiro trabalho."

Os acordos levantam a perspectiva de um litígio que buscaria forçar a agência reguladora de telecomunicações FCC a interromper o uso de ondas aéreas das operadoras de telefonia móvel, de acordo com um funcionário da companhia aérea que pediu para não ser identificado.

O litígio ainda pode prosseguir se a pausa de duas semanas não resultar em acordos sobre métodos de proteção de aviões em aeroportos, acrescentou o funcionário.

As ações da Verizon e da AT&T subiram menos de 1% antes do início do pregão na terça-feira em Nova York, enquanto as ações das maiores companhias aéreas dos EUA avançaram cerca de 1%.

Compromissos

Os provedores sem fio se comprometeram a não instalar torres perto de certos aeroportos por seis meses se a indústria da aviação concordar em não intensificar sua campanha contra o novo serviço. A oferta é modelada a partir de zonas de exclusão em aeroportos na França, onde o serviço 5G está operando em frequências semelhantes e onde aviões americanos pousam.

A AT&T disse que concordou com o adiamento a pedido do secretário de Transportes, Pete Buttigieg. A empresa disse que também está comprometida com evitar o uso perto dos aeroportos.

"Sabemos que a segurança da aviação e o 5G podem coexistir e estamos confiantes de que mais colaboração e avaliação técnica resolverão quaisquer problemas", disse a AT&T em um comunicado.

O porta-voz da Verizon, Rich Young, disse que a empresa "concordou com um atraso de duas semanas, e prometeu a certeza de trazer a esta nação nossa rede 5G revolucionária em janeiro". Na manhã de segunda-feira, Young rejeitou a ideia de qualquer atraso.

Buttigieg e o administrador da FAA, Steve Dickson, na sexta-feira, pediram um breve atraso para que o governo pudesse ter mais tempo para avaliar os riscos, mas disseram que o faziam para ajudar a garantir uma implementação tranquila do serviço. As empresas disseram inicialmente no domingo que não iriam atrasar o serviço, mas mudaram de ideia na noite de segunda-feira.

"A FAA agradece à AT&T e à Verizon por concordarem com um atraso voluntário e por suas mitigações propostas", disse a FAA em um comunicado. "Esperamos usar o tempo e espaço adicionais para reduzir as interrupções de voo associadas a esta implantação 5G."

As empresas concordaram em tomar medidas adicionais que vão durar seis meses em 50 aeroportos identificados como de maior impacto para a aviação americana, segundo a FAA.

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