REUTERS/Lucas Jackson
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Petrobrás vê salto na produção de petróleo em 2019 e corte de US$10 bi na dívida

Estatal está a caminho de reduzir a dívida para US$ 69 bilhões até o fim do ano, apesar de estar abaixo da meta de desinvestimento, informou diretor executivo financeiro da estatal, Rafael Grisolia

Reuters

17 Setembro 2018 | 13h24

NOVA YORK- A Petrobrás tem como objetivo elevar a produção de petróleo de 8% a 10%, para cerca de 2,3 milhões de barris por dia (bpd), em 2019 e reduzir a dívida em mais US$ 10 bilhões no próximo ano, disse o diretor executivo financeiro e de relacionamento com investidores da estatal, Rafael Grisolia, à Reuters.

A petroleira mais endividada do mundo está a caminho de reduzir a dívida para US$ 69 bilhões até o fim deste ano, apesar de ficar abaixo da meta de US$ 21 bilhões de desinvestimentos (biênio 2017-2018), afirmou o executivo em entrevista em Nova York na última sexta-feira, 14.

A empresa reduziu significativamente sua dívida líquida em relação aos US$ 106 bilhões de 2014, quando destinou montantes elevados para financiar o desenvolvimento de enormes campos de petróleo no pré-sal.

Posteriormente, a Petrobrás perdeu a confiança do investidor à medida que os preços do petróleo caíram, um escândalo de corrupção atingiu a empresa e as perdas na área de abastecimento aumentaram.

A Petrobrás pretende reduzir a dívida líquida em mais US$ 10 bilhões em 2019 para chegar numa razão de 2 vezes a dívida líquida pelo Ebitda, disse ele.

A empresa continuará cortando dívida até que a proporção dívida líquida/Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atinja 1 a 1,5 vez, destacou o executivo, o que colocaria a companhia em linha com suas pares do setor de petróleo no mundo.

“Se você olhar para os nossos concorrentes diretos e pares como Chevron, Exxon e BP, precisamos procurar uma estrutura de capital mais leve”, afirmou Grisolia.

A empresa deve atingir uma proporção de 1,5 vez em 2020 como parte do próximo plano de negócios de cinco anos da Petrobrás, disse ele, embora isso dependa dos preços internacionais do petróleo e de outras variáveis, como a taxa de câmbio.

Nos próximos cinco a seis anos, uma vez que a empresa tenha atingido as metas de reestruturação de dívida, a Petrobrás pode considerar investimentos estrangeiros para facilitar as exportações resultantes do aumento da produção dos campos do pré-sal, disse ele.

A empresa pode investir em terminais no exterior para receber gás natural liquefeito (GNL), disse Grisolia. Isso ajudaria o Brasil a exportar mais gás, ele acrescentou.

A Exxon Mobil, BP e Shell estão entre as empresas que planejam investir bilhões de dólares no desenvolvimento de reservas em águas profundas no Brasil.

Estima-se que o Brasil deva responder por uma grande parte do aumento na produção global de petróleo e gás de países não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Preços do petróleo aumentaram a receita da estatal

Os preços do petróleo subiram para máximas de três anos e meio recentemente, à medida que as ofertas globais se tornaram mais apertadas.

Preços mais altos do petróleo do que os estimados pela empresa em 2018 aumentaram a receita e permitiram que a Petrobrás atingisse sua meta de redução de dívida, disse Grisolia. Isso compensou US$ 7 bilhões em vendas de ativos que a estatal esperava receber este ano, acrescentou o executivo.

A empresa já recebeu US$ 5 bilhões em vendas e receberá outros US$ 2 bilhões antes do final do ano, informou. “Todo o desinvestimento e dinheiro do desinvestimento ajudará, mas nós não precisamos necessariamente deles para atingir a meta de US$ 69 bilhões até o final do ano”, destacou.

Subsídios ao diesel prejudicaram preço das ações da Petrobrás

Em maio, o protesto dos caminhoneiros em todo o País contra preços crescentes do diesel paralisou a maior economia da América Latina e forçou o governo a baixar os preços do combustível por meio de cortes de impostos e subsídios.

Isso prejudicou o preço das ações da Petrobrás, já que os investidores ficaram preocupados sobre a possibilidade de a empresa perder novamente dinheiro para subsidiar as vendas de combustível.

A empresa espera receber de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões de subsídios da reguladora de petróleo do país, a ANP, dentro de duas semanas, para compensar o fato de estar segurando as cotações nas refinarias, disse Grisolia.

Subsídios tornaram menos lucrativo para o setor privado a importação de diesel, disse ele, mas algumas compras externas do produto continuam, e ele não prevê qualquer escassez de combustível.

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