Suzano Papel e Celulose
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Suzano paga R$ 310 milhões em fábrica para acelerar sua entrada no varejo

Com a compra da Facepa, investimento da companhia de papel e celulose para vender diretamente ao consumidor chega a R$ 850 milhões; empresa já havia anunciado a intenção de desenvolver uma marca própria para produtos derivados de papel

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 22h59

A companhia de papel e celulose Suzano anunciou nesta segunda-feira, 4, a compra da Fábrica de Papel da Amazônica (Facepa), com unidades em Fortaleza e Belém, para acelerar a entrada da companhia no varejo. Em agosto, a empresa havia anunciado a intenção de criar uma nova marca de papel higiênico e de outros produtos derivados do papel.

Para tanto, investirá R$ 540 milhões nas unidades de produção de Mucuri (BA) e Imperatriz (MA). Com a aquisição da Facepa por R$ 310 milhões, a aposta na venda direta ao consumidor chega a R$ 850 milhões.

Ex-presidente da Unilever no México, o brasileiro Fábio Prado vai capitanear a área de bens de consumo da Suzano. Segundo ele, a compra de 93% da Facepa, vai dar velocidade ao processo.

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O objetivo, de acordo com o executivo, é conseguir todas as aprovações necessárias ao negócio até o fim do primeiro trimestre. Com essa etapa resolvida, a Suzano iniciará, de forma efetiva, sua experiência no varejo.

Embora as marcas da Facepa sejam pouco conhecidas na maior parte do País, Prado explicou ao Estado que a empresa detém cerca de 15% do mercado de papel higiênico nas regiões Norte e Nordeste. Além das marcas neste segmento - Blanc, Floral, Tutto e Nino -, a companhia também está presente no varejo de fraldas, com a Maxx Baby.

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O executivo diz que a aquisição ajuda na "migração" da Suzano para o varejo, pois garante acesso a uma estrutura de produção e distribuição já em funcionamento.

O processo de criação de uma marca nova da Suzano continua correndo de forma paralela. Prado explica que o objetivo inicial da empresa foi sempre começar a distribuição no Norte e Nordeste, tanto pela proximidade com as fábricas quanto pelo mercado ainda pouco desenvolvido.

Hoje, o consumo médio de "tissue" (tipo de papel voltado para produtos higiênicos) no Brasil está em 6 kg por habitante - nessa conta entram papel higiênico, guardanapos e lenços de papel, por exemplo. A média do Nordeste, no entanto, é bem menor: 2,5 kg por habitante.

Fábio Prado chegou à Suzano para montar uma equipe de bens de consumo que hoje tem sete diretores - todos os profissionais, conta ele, têm entre 15 e 20 anos de experiência na relação com o varejo.

Em entrevista sobre o projeto em agosto, o presidente da Suzano, Walter Schalka, disse que o objetivo da fabricante de papel e celulose é ter uma linha de produtos completa para oferecer ao consumidor. "Não somos 'experts' ainda, mas já vamos começar nesse setor jogando", disse ele.

Segundo a consultoria Euromonitor, o mercado de papel higiênico deve movimentar R$ 7,1 bilhões em 2017, com previsão de expansão de 1,8% sobre o resultado de 2016. As cinco principais marcas somam 44% do setor - o que evidencia ainda uma pulverização. As líderes no País são Personal, Mili, Neve, Paloma e Sublime, informa a consultoria.

Estratégia. A decisão da Suzano em comprar a Facepa é considerada estratégica para o setor. Segundo Elizabeth Carvalhaes, presidente da Ibá, entidade que representa as empresas de papel e celulose, o Brasil é importador de celulose do tipo "fluff" (matéria-prima usada para a produção de papel higiênico, fraldas e absorventes, por exemplo).

O quadro poderá se inverter no longo prazo. Com a entrada da Klabin neste segmento no ano passado, seguido agora pela Suzano, essa relação poderá se inverter.

"Há uma tendência de aumento de consumo nos países emergentes. O Brasil, que já é o maior produtor global de celulose, também ganhará maior relevância nesse segmento", disse. /COLABOROU MÔNICA SCARAMUZZO

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