Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Selic estável em 6,50% tem impacto em investimentos, mas taxa de crédito não recua; entenda

Enquanto Selic é mantida no mais baixo patar da história desde 21 de março de 2018, taxa de cheque especial continua subindo

Renato Jakitas e Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 18h32

Com a sétima manutenção sequencial da taxa de juros Selic pelo Banco Central nesta quarta-feira, 6, o Comitê de Política Monetária (Copom) gera para o mercado uma onda de estabilidade nunca vista antes no País.

A taxa de juros básico da economia a 6,50%, em vigor desde 21 de março do ano passado, tem impactos diretos nos investimentos e, até agora, muito pouco no mercado de crédio. Segundo especialistas, a Selic não é determinante para a política de concessão de financiamento dos bancos.

Hoje em dia, os bancos se guiam muito mais pelos riscos individuais do tomador de empréstimo de pagar ou dar um calote na dívida do que qualquer outra coisa. E, nesse contexto, em dezembro de 2018, o total de brasileiros com dívidas em atraso chegou a 62,6 milhões, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Para tentar reduzir o juros do crédito, principalmente do cheque especial, o mais caro de todos, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) implementou uma série de medida há seis meses. No entanto, as taxas cobradas dos clientes não recuram. 

Os dados divulgados no final de janeiro pelo Banco Central mostram que, em dezembro do ano passado, quem entrou no cheque especial pagou um juro médio de 312,6% ao ano. Em junho, antes que as medidas entrassem em vigor, a taxa média era de 304,9% ao ano.

Em abril do ano passado, ao anunciar as medidas, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, havia defendido que as novas regras iriam acelerar a queda da taxa de juros ao consumidor. Desde julho, a regra prevê oferta de crédito mais barato ao cliente que usar 15% do limite do cheque especial por 30 dias.

Os dados do BC mostram que, em 2018, o juro médio do cheque especial chegou a cair 10,4 pontos porcentuais, em relação ao verificado no fim de 2017. Só que este recuo está, em grande parte, ligado à redução da inadimplência e ao fato de a Selic (os juros básicos da economia) estar estável desde março do ano passado. “Não podemos dizer que houve redução das taxas de juros do cheque especial após as medidas da Febraban”, disse em janeiro o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Investimento

Já no campo dos investimentos, a coisa muda. O declínio da Selic ao longo dos últimos anos esmagou a rentabilidade de boa parte da renda fixa – refúgio do conservador investidor brasileiro.

Produtos que antes eram sinônimo de ganho fácil, como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI, agora praticamente se igualam ou até perdem para a poupança, instigando até os mais cautelosos a dar os primeiros passos na renda variável.

Com a Selic estaganada em 6,50%, os fundos de renda fixa só ganham da caderneta de poupança quando a taxa de administração é menor que 1% ao ano, seja qual for o prazo do resgate.

Nos fundos com custos de 1,5% ao ano, a poupança só perde em resgates após dois anos. A poupança agora sai na frente desses produtos pois é isenta de Imposto de Renda (IR).

Descontado o IR, uma aplicação de R$ 1 mil num CDB de um banco de grande porte que rende 85% do CDI (taxa que anda de mãos dadas com a Selic) ou num fundo DI com taxa de 1% pagaria, em um ano e meio, R$ 1.044 – ligeiramente abaixo da poupança. 

Por tudo isso, o investidor precisa ficar muito atento não à notícia da manutençao da Selic, mas o que o BAnco Central projeta para as próximas reuniões - qual o recado do Copom para o futuro.

Segundo os principais gestores, se a reforma da previdência realmente avançar, a chance é muito grande de que no médio e longo prazos a Selic cai até 100 pontos base, ou seja, possa chegar a 5,50%. Essa dinâmica favorece e muito o mercado de ações. Isspo porque juro menor é igual a preço maior de ação. E essa é uma conclusão puramente aritmética. 

o preço de uma ação reflete a expectativa de quanto dinheiro uma empresa tem em seu caixa no futuro. Pra se fazer essa conta, os analistas projetam esse caixa e trazem para o presente descontado a taxa de juros médio da economia. Logo, juros menor é proporcionalmente igual a mais dinheiro nas empresas. E mais dinheiro nas empresas é o mesmo que ações valorizadas na Bolsa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.