Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Modelo híbrido ganha na preferência de sistema de trabalho

Pesquisa feita pela consultoria de RH Adecco aponta que 40% dos profissionais preferem o sistema híbrido e 33% o home office; volta ao regime presencial é preferência de apenas 16%

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 14h21

Depois de mais de um ano e meio de pandemia, entre o surgimento de novas variantes do coronavírus e o avanço da vacinação no Brasil, as empresas que mantiveram o regime de home office durante todo o tempo tentam planejar como será o modelo de trabalho no próximo ano. Aquelas que pretendem voltar ao trabalho presencial encontram uma barreira: os funcionários preferem o modelo híbrido ou o home office. 

Uma pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Adecco apontou que 40% dos entrevistados preferem o sistema híbrido e 33% o home office. A volta ao regime presencial é a preferência de apenas 16% dos profissionais. 

As preferências podem ser explicadas por muitos fatores, entre eles dois abordados na pesquisa. Entre os 697 entrevistados, 58% sentiu que o home office afetou a sua vida pessoal de forma positiva e para 27% ela não foi afetada. Apenas 4% responderam que o regime de trabalho em casa afetou suas vidas de forma negativa.

Outra explicação pode estar relacionada com a vacina contra a covid-19: 46% dos respondentes disseram que ainda não tomaram nenhuma dose da vacina; 38% tomaram apenas a primeira dose e 6% ambas as doses. No Brasil, 34,5% da população está totalmente vacinada e 67,3% tomou ao menos uma dose. 

“Mesmo com o avanço da vacinação e com o reforço da terceira dose já em curso, entendemos que grande parte das empresas tende a manter o home office, mas alternando com idas regulares ao escritório. O que antes era visto com preconceito sobre como o colaborador iria performar, hoje é possível ver que pode funcionar bem, especialmente porque tem ficado mais estruturado, empresas têm se organizado para oferecer benefícios que apoiem o trabalho remoto”, diz André Vicente, diretor geral da Adecco Brasil.

Os dados obtidos pela Adecco contrastam com uma outra pesquisa feita pela consultoria em meados de 2020, quando algumas empresas pareciam fazer um movimento de retorno ao trabalho presencial. Naquela época, 55,68% dos entrevistados gostariam de voltar ao trabalho presencial. Os demais se dividiam entre os que não queriam voltar por medo de contrair a covid-19 (7,70%), os que não queriam porque haviam se adaptado ao home office (7,12%) e os que voltariam, mas com jornada reduzida e em dias alternados (28,46%).

“Atualmente, o trabalhador prefere o trabalho híbrido e home office, pois depois de tanto tempo nesse novo formato, é comum que tenham se adaptado a essa nova dinâmica e consigam usufruir dos benefícios trazidos por ela, a exemplo da autonomia sobre o espaço e horário de trabalho, flexibilidade e inclusive melhorias na produtividade. Naquela época, em julho de 2020, tudo era novidade e havia muitas dúvidas sobre essa forma de trabalho”, explica André Vicente.

Embora os dados tenham apontado uma preferência explícita pelos modelos híbrido e home office, a parcela da população brasileira que trabalhou de casa em 2020 é de apenas 11%, de acordo com os dados da Pnad Covid-19, divulgados em julho e setembro deste ano. O retrato do trabalho remoto também é bastante específico: é composto majoritariamente por mulheres, pessoas brancas e altamente escolarizadas, o que cria uma distância entre o que foi aplicado até então e a sociedade brasileira. 

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