Ilustração/Gafisa
Ilustração/Gafisa

Gafisa, Plano & Plano e Lopes vencem

De acordo com ranking da Embraesp, as três empresas são campeãs nas categorias incorporadora, construtora e vendedora, respectivamente

Heraldo Vaz, Especial para O Estado

13 Junho 2017 | 22h30

A Plano & Plano, com 95% de seus apartamentos destinados ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), alcançou o primeiro lugar no ranking das construtoras. A Gafisa, focada nos segmentos de média e alta renda, é bicampeã na categoria das incorporadoras. No segmento das vendedoras, a Lopes reconquistou o topo do pódio.

Com base nos registros da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), as três empresas são as grandes vencedoras da 24ª edição do prêmio Top Imobiliário, concedido pelo Estado.

Entre os produtos que ocupam pontos extremos na curva de preços dos lançamentos ocorridos em São Paulo no ano passado está o MN15 Ibirapuera, da Gafisa, com 14 apartamentos de 340 m² e preço de R$ 8 milhões. Foi o mais caro, conforme os dados da Embraesp.

Na outra ponta, o Itaquera Paes Landim foi lançado pela Plano & Plano por R$ 170 mil, com 68 unidades de dois dormitórios e 45 m² de área útil. Só perdeu para o microapartamento do residencial Vita Bom Retiro, da Vitacon, com apenas 14 m² e preço de R$ 148 mil.

Demanda. A diretora geral de Atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, diz que o segmento econômico, especialmente os imóveis enquadrados no programa MCMV, de habitação popular, é o mais aquecido do mercado. “Existe uma demanda muito maior do que a capacidade de produção”, afirma.

Apesar da crise, que se aprofundou nos últimos três anos, Mirella vê perspectivas de melhora no mercado imobiliário de São Paulo, destacando a volta de lançamentos de empreendimentos classificados como superluxo. São as unidades com mais de 200 m² de área e preço acima de R$ 2 milhões, de acordo com a classificação do estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

A Gafisa concentra sua atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na capital paulista, segundo a Embraesp, lançou nove empreendimentos em 2016, com 20 blocos que terão área construída total de 219 mil m².

Para o total de 1,4 mil unidades lançadas, o valor global estimado foi de R$ 870 milhões, afirma a diretora executiva de Produto da Gafisa, Katia Varalla. Ela destaca qualidade, design e boa localização nos lançamentos, além da tecnologia digital para impulsionar

A campanha “Olho no olho” fez parcerias com blogs. “Clientes receberam vouchers com bonificações, viagens internacionais e vale-compras no valor de até R$ 20 mil ao fechar negócio”, diz Katia. O vídeo da campanha no Facebook, segundo ela, foi visto por 300 mil pessoas.

 

Em maio, a incorporadora lançou a campanha “100% taxa zero”, oferecendo parcelas fixas, além de 5% do valor da entrada de volta em benefícios.

Outra ação de engajamento nas mídias sociais promoveu o Square Ipiranga. “Na fanpage ‘Ipiranga meu orgulho’, exploramos o melhor do bairro, valorizando restaurantes, bares e moradores que fizeram sua história por lá”, conta a diretora.

Velocidade. Em 2016, as vendas alcançaram R$ 810 milhões, segundo o balanço da Gafisa, que destaca a performance do Square Ipiranga. No último trimestre de 2016, segundo a empresa, o lançamento de três projetos teve velocidade de vendas de 67% no período, “um dos maiores níveis da história” da Gafisa, podendo indicar “movimento de melhora no índice de confiança dos consumidores”.

No primeiro trimestre deste ano, o resultado com vendas líquidas atingiu R$ 117 milhões, um aumento de 75% ante o mesmo período de 2016.

“Ainda não temos uma visão clara de como será o ano para o mercado imobiliário”, diz Katia. Sua expectativa é de que a “estabilidade econômica e a queda dos juros tragam de volta os investidores e consumidores”.

Em março, ao divulgar o balanço de 2016, a Gafisa considerou o mercado de médio e alto padrão “muito afetado” pela recessão. “Em 2017, ainda sob efeito do ambiente recessivo, a combinação da crise política vivida desde 2015 com contração econômica segue impactando duramente o setor”, informou em nota. A decisão é “manter postura cuidadosa, com foco na redução do estoque e equilíbrio na colocação de novos produtos”.

O estoque de imóveis baixou de R$ 1,8 bilhão na virada do ano para R$ 1,6 bilhão no fim de março passado. A Gafisa não fez lançamento neste ano. Apesar de ter projetos aprovados para colocar no mercado, optou por não iniciar nenhum novo empreendimento. Sobre as perspectivas para o segundo semestre, “a Gafisa não divulga projeções anuais de lançamento”, argumenta Katia.

Em 2016, a empresa concentrou as novidades no segundo semestre, com 77% do total de projetos. O banco de terrenos da Gafisa, com valor estimado em R$ 4,8 bilhões, representa 38 projetos potenciais – 62% em São Paulo –, com de 11 mil unidades.

 

No ano passado, a Gafisa entregou dez projetos em São Paulo, com 1.807 apartamentos. O valor global de vendas foi de R$ 1 bilhão, diz Katia.

Distratos. Para o sócio diretor da Plano & Plano, Rodrigo Luna, a economia brasileira foi à lona, levando junto o setor imobiliário. “Com a queda dos níveis de confiança e grave insegurança jurídica, surgiram os distratos”, afirma Luna, referindo-se aos cancelamentos da venda de imóveis na planta.

O Minha Casa Minha Vida se tornou uma grande alternativa para o setor. “E segue como oportunidade para produtores e compradores de unidades habitacionais”, diz Luna.

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