Você deveria considerar fazer uma graduação ou uma pós a distância

Você deveria considerar fazer uma graduação ou uma pós a distância

Com tantos recursos interativos e avanços tecnológicos, não faz sentido se deslocar a uma instituição para aula meramente expositiva; ensino a distância possibilita combinação de recursos, aponta especialista em artigo

Breno Paquelet

10 de agosto de 2020 | 15h31

Nos últimos anos, cresceu bastante a oferta de cursos de graduação ou pós-graduação a distância. Essa modalidade, que por muito tempo foi vista com descrença por boa parte dos estudantes, tornou-se o único meio disponível para a continuidade dos cursos durante a pandemia do novo coronavírus e fez com que muitas pessoas fossem forçadas a experimentar esse formato, que até então consideravam impensável.

Assim como no formato presencial, existem cursos bons e ruins no ensino a distância (EAD). Em um cenário normal, demoraria anos para o aperfeiçoamento do modelo online, mas o isolamento forçou instituições, professores e alunos a acelerarem essas mudanças. Nesse período, vivenciei o formato pela ótica de professor e aluno.

Como aluno, tive aulas muito boas e outras ruins. Muitos professores acreditam que a aula on-line é uma mera reprodução da presencial e passam horas falando, sem interagir com os alunos nem fazer uso dos inúmeros recursos disponíveis para incrementar suas aulas e gerar engajamento. Isso torna o curso monótono, tira a atenção e desconecta os alunos, que por estarem à frente do computador, provavelmente farão outras coisas paralelamente.

Como professor, percebi que precisaria mesclar diversos meios para engajar os alunos e manter sua atenção. Por lecionar “negociação”, uma matéria que demanda ampla interação, sempre tive restrições ao modelo 100% online para meus workshops, mas a necessidade de ministrar o tema remotamente para os alunos do MBA me forçou a buscar formas de adaptar o conteúdo para esse formato.

Percebi que é preciso, frequentemente, combinar recursos, ou seja, intercalar o conteúdo expositivo com atividades de perguntas-respostas em formato de quiz, discussões com alunos, simulações entre grupos (subdividindo a conferência), apresentação de slides, vídeos curtos e outras funcionalidades.

Formato presencial de ensino carrega poréns como dificuldade a acesso a professores renomados, de outras cidades. Foto: Valéria Gonçalvez/Estadão

Cursos que possuem elevada carga horária no formato remoto apresentam diversas vantagens que atendem às demandas atuais dos alunos e profissionais: oferecem maior flexibilidade (adaptando-se a diferentes rotinas), geram economia de tempo e dinheiro (não é preciso se deslocar até a instituição e os cursos em geral são mais baratos) e é possível ter acesso a professores renomados, de grandes centros, que muitas vezes não estariam acessíveis em formato presencial.

Acredito firmemente que esse modelo veio para ficar e ganhará cada vez mais adeptos, o que contribuirá para que siga se aperfeiçoando. Considero até que o modelo perfeito seria o híbrido, intercalando aulas expositivas remotas e aulas presenciais mais dinâmicas e interativas, combinando os benefícios dos dois formatos.

Com a vida corrida, maior necessidade por equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e os avanços de conexão tecnológica, não há mais razão para se deslocar até uma instituição para assistir presencialmente uma aula meramente expositiva, sem interação alguma, como inúmeras que assisti em minha graduação e MBA. Não faz sentido desperdiçar recursos de todos os envolvidos e essa lição parece ter sido assimilada por instituições e alunos.

* Breno Paquelet é especialista em negociações estratégicas pela Harvard Business School, com educação executiva em Estratégia Empresarial no Massachusetts Institute of Technology (MIT). É professor do MBA em Gestão Empreendedora da Universidade Federal Fluminense (UFF), professor convidado da Casa do Saber/RJ e autor do livro ‘Pare de Ganhar Mal’ (ed. Sextante).

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