Foto: Gabriela Biló/Estadão - 15/10/2019
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Abalos na política e na economia

Problemas do transatlântico da economia do Brasil se multiplicam, mas não há firmeza no comandante

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 12h51

Nessa hora, de especial gravidade, não dá para separar política de economia. Do jeito como aconteceram na sexta-feira as demissões do então ministro Sérgio Moro e do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, abrem enorme espectro de incertezas na área política que acabarão por ser descarregadas sobre a área econômica. O impacto sobre o câmbio e sobre o mercado de ações dá uma ideia disso.

A principal questão consiste em saber até que ponto o presidente Bolsonaro, que já vinha sofrendo sério desgaste político, conseguirá apoio mínimo para governar. Ele já se ressentia do isolamento a que vinha sendo submetido, a ponto de renegar a pretendida política nova, uma das principais bandeiras de campanha, para tentar se manter vivo. Depois de condenar o que chamou de métodos antigos, baseados em leilão de cargos, em toma lá dá cá e em arraigado patrimonialismo, que caracterizaram a chamada presidência de coalizão, Bolsonaro entendeu ser necessário atrair para sua órbita o chamado Centrão, constituído de políticos fisiológicos, muitos deles remanescentes do período do petrolão.

Esse ajuntamento apenas eventual de políticos é dotado de notável instinto de sobrevivência. Quase sempre é a primeira leva a pular de um barco que não lhes garante segurança. Foi assim no tempo do presidente Fernando Collor e foi assim, também, no segundo período da presidente Dilma Rousseff. Se as pernas da cadeira do presidente começarem a balançar, não continuarão gastando seu capital para fornecer o mesmo grude que os aglomera e estarão dispostos a mudar de lado.

A rede de apoio político do presidente não se limita às forças disponíveis no Congresso. Estende-se também para um grupo de governadores – cada vez mais diminuto – e para os oficiais militares que hoje circundam o presidente. Estende-se, também, para os segmentos da população que ajudaram a elegê-lo. Boa parte deles parece decepcionada pela atuação do presidente, especialmente depois que demitiu o ex-juiz que se notabilizou pelo mais extenso e mais profundo combate à corrupção do País.

A impressão que ficou da última semana de crise foi de que o presidente não concluiu sua operação de faxina no seu Ministério e de que agora parece determinado a dar um giro de 180 graus na sua administração.

Há outros ministros importantes em fase de fritura. O ministro da Economia, Paulo Guedes, por exemplo, foi surpreendido pela preparação de um Plano Marshall tupiniquim denominado Pró-Brasil, que prevê investimentos  de R$ 250 bilhões com recursos privados e outros R$ 30 bilhões com recursos públicos. Trata-se de um pacote ainda em fase preliminar, preparado por assessores militares do Palácio do Planalto, que, no entanto, não passou pelo crivo da Economia.

A cabeça da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também parece em processo de cozimento. Ela vem sendo obrigada a defender a China, o principal parceiro comercial do Brasil, dos ataques ideológicos desferidos pela trinca de filhos do presidente e pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. Também vem sendo pressionada a optar entre a fidelidade a seu partido, o DEM, em conflito com o presidente, e seu cargo no governo. 

No caso das escaramuças veladas a Guedes, o que pode ficar em questão é a linha de política econômica neoliberal adotada até aqui (pelo Posto Ipiranga), que poderia ser substituída por orientação de tipo populista ou intervencionista, mais parecida com a adotada na temporada do então ministro Guido Mantega, que deu errado e foi uma das causas do impeachment em 2016.

Independentemente dessas tensões, a ficha técnica da economia do Brasil já passa por enormes turbulências. A situação da contas públicas já era alarmante e ficou mais ainda depois do despejo de recursos e da provável expansão do endividamento, destinados ao apagamento do incêndio produzido pela crise do novo coronavírus.

O setor do petróleo, que até há dois meses era um dos pilares da economia, mostra rachaduras, em consequência da brutal quebra do consumo de derivados e do colapso dos preços. A indústria foi obrigada a paralisar suas máquinas, o comércio cerrou suas portas e o setor de serviços, com certas exceções, ficou estancado pelo confinamento da população. Mais que tudo, o consumidor perdeu emprego e renda e já não detém o mesmo poder de compra.

Ou seja, os problemas por que passam o transatlântico da economia se multiplicam e, no entanto, não se sente firmeza no comandante.

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