BNDES prevê que 200 mil pequenas empresas recorrerão ao crédito para capital de giro

BNDES prevê que 200 mil pequenas empresas recorrerão ao crédito para capital de giro

Banco de fomento anunciou oferta de R$ 20 bilhões para o setor; linha será intermediada por outras instituições do sistema bancário

Carla Araújo, Fernando Nakagawa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 21h40

Em mais uma tentativa de acelerar o crescimento econômico, o governo anunciou nesta quarta-feira, 23, a oferta de R$ 20 bilhões em crédito para custear despesas operacionais (capital de giro) de pequenas e médias empresas.

A linha será oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que tradicionalmente não é um grande agente neste tipo de financiamento - e será intermediada por outras instituições do sistema bancário.

Apesar do esforço da equipe econômica em acabar com a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), os empréstimos usarão esta referência atual que, segundo o próprio governo, distorce o mercado de crédito. Sendo um juro bem abaixo dos de mercado, a TJLP embute um subsídio indireto, que é absorvido pelo Tesouro Nacional.

Em uma cerimônia que contou com a presença do presidente Michel Temer, a equipe econômica anunciou com festa o lançamento da nova linha de crédito "BNDES Giro". A iniciativa faz parte do plano do banco de fomento para aumentar a oferta de financiamentos para pequenas e médias empresas. Esse esforço direcionado às PMEs havia sido antecipado em julho pelo Estadão/Broadcast.

Durante a apresentação a Temer, o presidente do banco de fomento, Paulo Rabello de Castro, disse que cerca de 40% dos novos financiamentos foram direcionados às empresas de pequeno e médio porte no primeiro semestre e a intenção é elevar a participação para até 60% em 12 meses. Semestralmente, o banco empresta cerca de R$ 13 bilhões ao segmento. Nessa categoria, o BNDES inclui empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões.

++ Retomada da economia virá principalmente no emprego, diz Meirelles

Rabello prevê que 200 mil empresas tomarão o crédito. Nesse cenário, cada empresa terá média de R$ 100 mil em capital de giro em cada operação. O presidente do banco nota que já há "sinais evidentes de retomada" na economia. Mesmo assim, a carteira de empréstimos para empresas segue no território negativo. "Ainda não estamos tranquilos, algumas linhas pessoa jurídica têm queda de 7% no ano", afirmou.

Juros. Para empresas com faturamento de até R$ 90 milhões por ano, a nova linha de crédito terá juro que segue a TJLP - atualmente em 7% ao ano - acrescida de uma margem (spread) de 1,5 % cobrado pelo BNDES. Além disso, haverá taxa adicional cobrada pela instituição financeira que opera o empréstimo diretamente ao cliente - os bancos comerciais, privados ou estatais.

Para companhias com faturamento de R$ 90 milhões a R$ 300 milhões, o juro base será composto por 50% da TJLP e 50% da Selic acrescida de igual margem do BNDES de 1,5% e da taxa do banco comercial que oferecer a linha.

Com essas características, os R$ 20 bilhões serão oferecidos ao mercado usando como referência a taxa de juro que o governo pretende deixar de usar ao adotar a nova Taxa de Longo Prazo (TLP). Um dos principais argumentos do governo contra a atual TJLP é que há juro subsidiado pelo Tesouro Nacional.

Isso acontece porque o governo toma dinheiro emprestado do mercado pagando juro de 9,25% ao ano (taxa Selic) e o BNDES empresta os recursos cobrando 7% a.a. (TJLP). Essa diferença acaba sendo absorvida pelos contribuintes através do Tesouro Nacional.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, não comentou a manutenção do uso da TJLP nessa operação, mas notou que o BNDES tem em caixa os recursos necessários para a nova operação e não há nenhum tipo de subsídio direto na operação.

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