Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017
Suamy Beydoun/AGIF - 31/3/2017

Dólar recua a R$ 3,74 e Bolsa atinge maior nível em dois meses

Com alta de 3,45%, Vale foi destaque entre as maiores altas da carteira do índice brasileiro, após melhora do rating pela agência Moody's; exterior favorável e cenário político ajudaram negócios no cenário local

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2018 | 17h26
Atualizado 25 de julho de 2018 | 00h35

A Bolsa voltou aos 79 mil pontos atingiu o maior patamar desde 24 de maio e o dólar fechou em queda, atingindo o menor nível em mais de um mês no pregão desta terça-feira, 24. Os ativos brasileiros foram impulsionados pelo cenário externo favorável e pela melhora na percepção do risco eleitoral. O Ibovespa, índice que reúne as principais ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo, encerrou o pregão em alta de 1,49%, aos 79.154,98 pontos e o dólar caiu 1,03%, cotado a R$ 3,7439.

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Internamente, o desempenho do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira, 24, no programa Roda Viva, agradou aos investidores, que já tinham se animado com o apoio recebido do Centrão. Agora resta a definição sobre o nome a ser indicado para compor a chapa com Alckmin. Nesta terça-feira, 24, a executiva nacional do PR divulgou nota negando que o empresário Josué Gomes tenha recusado ser o vice. Alckmin se encontrou duas vezes com o empresário somente nesta segunda-feira, 23, e a indicação do nome dele partiu dos partidos do Centrão.

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No cenário externo, a China já se prepara para os baques que a tensão tarifária deve causar à economia. Nesta segunda, o Conselho de Estado, braço administrativo do governo, anunciou medidas para impulsionar o consumo doméstico e determinou que governos locais invistam mais em infraestrutura com bônus especiais.

"O apetite por risco geral melhorou após as medidas da China para impulsionar sua economia, que pode ajudar a sanar os efeitos das tarifas comerciais e sustentar o crescimento do país", comentou, em nota a clientes, a executiva de contas da Sucden Financial, Liz Grant.

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Bolsa. Os papéis da Vale foram  destaque no pregão desta terça-feira, apresentando avanço de 3,45%, aos R$ 51,31, ainda influenciados pela melhora do rating da empresa, que a colocou de volta no nível grau de investimento. A Vale divulga seus resultados trimestrais nesta quarta-feira, 25. Ações da Petrobrás também apresentaram desempenho positivo, com altas de de 1,77%, a R$ 21,90 (ON), e 2,08%, a R$ 19,66 (PN), impulsionadas pela alta nos preços do petróleo internacional.

Siderúrgicas também apresentaram ganhos expressivos. Os papéis da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) subiram 6,35%, segunda maior alta do pregão, atrás apenas da Via Varejo, com avanço de 7,43%, a R$ 20,25. As altas na CSN estão relacionadas a um aumento de preço nos produtos da empresa, além de operadores relatarem que, no mercado de futuros da China, os preços do aço estão na máxima de 10 meses por conta do aperto de oferta. Na fila das altas estiveram ainda Gerdau PN (2,94%, a R$ 16,78) e Usiminas PNA (2,27%, a R$ 9,02).

"Ainda sem fatos muito concretos, o Ibovespa parece buscar novos patamares. Embora seja cedo para apostar no crescimento de Geraldo Alckmin nas pesquisas, é possível que futuras sinalizações nesse sentido deem condições para o Ibovespa consolidar esses novos níveis", disse Fabrício Stagliano, analista da Walpires.

A participação de Geraldo Alckmin no programa Roda Viva, da TV Cultura, foi considerada bem-sucedida no mercado, mas não chegou a empolgar. "Ele teve um bom desempenho na entrevista. Isso é positivo, mas sabemos que o público do programa é de convertidos. O ex-governador precisa alcançar um público diferente desse e é isso o que veremos quando tiver início a propaganda eleitoral na TV", disse outro profissional de renda variável.

Dólar. Na avaliação do operador de câmbio da corretora Spinelli, José Carlos Amado, os agentes aproveitaram o cenário mais tranquilo aqui e lá fora nesta terça-feira para se desfazer de posições compradas em câmbio. Além disso, a sinalização é a de que houve entrada de recursos externos. Os apoios conseguidos por Alckmin ajudaram a acalmar o mercado, mas Amado ressalta que o quadro político ainda segue muito indefinido e a queda do dólar pode não se sustentar nos próximos dias. "É mais fácil o mercado enxergar um piso do que um teto para o dólar", disse ele.

Para os estrategistas da Icatu Vanguarda, o cenário externo e as eleições devem continuar ditando a dinâmica dos ativos locais nos próximos dias, já que deve prosseguir a tendência de recuperação lenta do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação deve prosseguir baixa e contida, as contas externas saudáveis, mas os problemas fiscais devem continuar latentes.

Com balanços de grandes empresas sendo divulgados e as tensões comerciais dando uma trégua, o mercado externo ficou mais tranquilo nesta terça-feira e a moeda norte-americana caiu ante as principais moedas de países desenvolvidos e emergentes. Uma das exceções foi a lira turca, que recuou forte ante a moeda norte-americana após o banco central da Turquia decidir manter os juros. O dólar subiu 3,26% ante a lira, mas caiu ante o peso argentino, o mexicano, o colombiano e o rand da África do Sul.

Os estrategistas de câmbio do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) afirmam que, apesar da trégua recente nas moedas de emergentes, eles permanecem "negativos" com esses ativos. A tensão comercial permanece alta, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai seguir subindo os juros e há ainda incertezas domésticas elevadas, dependendo do país. No caso brasileiro, o BBH destaca que as contas externas seguem saudáveis, mas as contas fiscais estão bem fragilizadas, além das eleições indefinidas.

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