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Concorrência maior no setor acelerou acordo entre Boeing e Embraer

Fusão de Bombardier e Airbus somada ao avanço de companhias da Rússia, China e do Japão levaram à venda da Embraer para a Boeing

Luciana Dyniewicz e Letícia Fucuchima, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 23h15

Um setor com mais concorrência e a disputa com uma gigante levaram Embraer e Boeing a agilizarem as negociações que culminaram com a parceria anunciada nesta quinta-feira, 05. Para ambas, pesou o fato de suas maiores rivais – a canadense Bombardier e a europeia Airbus – terem se associado, em outubro, para a fabricação de aviões com capacidade para até 150 passageiros, segmento em que a brasileira é líder.

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 Do lado da Embraer ainda havia o fato de novas companhias da Rússia, da China e do Japão estarem avançando nesse mercado em que a brasileira é mais forte. “O ambiente em que Embraer compete está mais difícil. Tanto que, antes de as negociações serem anunciadas, no ano passado, as ações da empresa vinham caindo. O mercado questionava sua sustentabilidade no médio prazo”, disse o especialista em setor aéreo André Castellini, sócio da consultoria Bain & Company.

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Para ele, a Boeing entraria no segmento de aviões de médio porte com ou sem a Embraer, pois esse é um dos mercados que cresce de forma mais acelerada no setor e no qual a Airbus havia se fortalecido. “Se a brasileira não fechasse a parceria, ganharia um novo concorrente. Já para a Boeing, esse jeito (a compra de parte da Embraer) é o mais rápido e eficiente. A americana ainda terá um produto supercompetitivo (os aviões da Embraer), considerado por muitos o melhor da categoria”.

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Além de ganhar musculatura para competir com Airbus e Bombardier, a Embraer se beneficiará com a maior força de vendas da Boeing, o acesso a capital mais barato e ganhos de sinergia. Em comunicado divulgado à imprensa, as empresas informaram que estimam uma sinergia anual de custos de US$ 150 milhões (antes de impostos) até o terceiro ano.

Para a equipe do Melius Research, mais do que seguir a Airbus e complementar seu portfólio com jatos comerciais, a Boeing está de olho na eficiência de custos da Embraer, que sai na frente dos competidores nesse quesito. “Acreditamos que esse acordo é sobre transformar a estrutura de custos da Boeing”, afirmaram os analistas Carter Copeland, Ryan Eldridge e Paige Tanenbaum.

De acordo com eles, é indiscutível que a Embraer ajudará nos dois focos da americana no momento: o potencial lançamento de uma nova aeronave de médio porte – denominada de NMA – e na transformação de seus negócios. Sobre o plano da NMA, ainda em estudos pela Boeing, os analistas ressaltam que o projeto poderia enfrentar alguma dificuldade pelo lado dos custos no longo prazo. “Em nossa visão, a Boeing acredita que a expertise da Embraer pode ser útil nessa questão, ainda que não deva garantir maior probabilidade de lançamento da NMA no curto prazo”.

O Melius Research descreve a nova empresa em aviação comercial como um “pequeno mas estrategicamente significativo” catalisador para a transformação da Boeing em uma companhia mais enxuta, rentável e competitiva. Favorece ainda a associação das companhias o fato de seus produtos serem complementares. A brasileira trabalha sobretudo com aeronaves de médio porte e a americana de grande porte.

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