Brendan Mcdermid/Reuters
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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Bolsa fecha com queda de 1,17% em sintonia com Nova York; dólar fica a R$ 5,29

Forte queda dos índices americanos segurou os ganhos do Ibovespa, mesmo após a animação do mercado com a reforma administrativa e a melhora da produção industrial do País

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 09h14
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 18h39

Não deu para a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou com queda de 1,17%, aos 100.721,36 pontos, em sintonia com o mercado acionário de Nova York, cujos índices terminaram o dia com baixas perto da casa dos 5% após um movimento de correção das altas recentes. As perdas só não foram maiores por conta da apresentação da reforma administrativa e também pela melhora da produção industrial do País. O mau humor, no entanto, não pesou no dólar, que hoje ampliou o movimento de desvalorização ante o real e encerrou com recuo de 1,15%, a R$ 5,2960.

A 'onda vendedora' que tomou conta das bolsas americanas desde o final da manhã pressionou a B3 ao longo do pregão e fez o índice virar sinal, em meio ao bom humor do mercado com a apresentação da proposta da reforma administratva nesta quinta. Ainda que o projeto se limite apenas aos novos servidores, os agentes preferiram olhar para os efeitos no longo prazo e a sinalização positiva que o andamento dessa reforma pode trazer para as contas públicas.

Nem mesmo a alta da produção industrial do País, que subiu 8% em julho, perto do teto das estimativas, ajudou a diminuir as perdas, que operou de olho no mercado acionário americano em toda a parte da tarde. Em Nova York, Dow Jones encerrou com queda de 2,78% e o S&P 500 caiu 3,51%, mas a maior baixa foi a do índice de tecnologia Nasdaq, que teve um tombo de 4,96%, maior queda porcentual diária desde 11 de junho.

A deterioração em Wall Street foi atribuída a uma correção após as altas recentes, com S&P 500 e Nasdaq frequentemente batendo recordes de fechamento. Entre os investidores americanos, pesou o surgimento de dúvidas quanto à solidez dos indicativos de recuperação econômica dos EUA, após cair o número de vagas geradas pelo setor privado e pela queda do índice de serviços do País, que foi de 58,1 em julho para 56,9 em agosto.

"Tivemos uma agenda doméstica mais fraca hoje e isso contribuiu muito para correlacionar ao exterior, com realização lá e aqui também. A reforma administrativa é uma iniciativa boa, mas que demanda tempo: a situação fiscal sem dúvida permanecerá no radar. Estamos há dois meses da eleição americana e isso traz certamente incerteza, não só pela expectativa por quem vencerá, mas também pelo que significará para a relação EUA-China", aponta Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Na máxima do dia, durante a apresentação da reforma, a Bolsa subia forte, aos 103.225,58 pontos, mas depois passou a cair 2,12%, aos 99.750,80 pontos por volta das 15h da tarde - mesmo horário em que os índices americanos intensificavam as perdas. Com os resultados de hoje, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, cede 1,39% na semana e, no ano, 12,90%, mas neste começo de setembro tem avanço de 1,36%.

Entre os desempenhos negativos da sessão, destaque para queda de 3,26% em Vale ON, após pedido do Ministério Público Federal de intervenção judicial para garantir segurança de barragens. Ainda no setor de commodities, Petrobrás Pn encerrou com ganho de 0,35%, em dia ruim para o petróleo no exterior - o WTI para outubro fechou em queda de 0,34%, a US$ 41,37 o barril e o Brent para novembro baixa 0,81%, a US$ 44,07 o barril. A alta do setor bancário também ajudou a segurar os ganhos do pregão: nesta quinta, Bradesco PN subiu 3,93% e Itaú Unibanco, 2,43%. 

Câmbio

O real teve novo dia de fortalecimento, operando novamente descolado das moedas emergentes, que hoje se desvalorizaram em sua maioria ante o dólar, e também descolado dos ativos domésticos. Na mínima do dia, ele caía a R$ 5,27. O dólar também operou nesta quinta descolado do Credit Default Swap (CDS) do Brasil, um termômetro do risco-país. Hoje as taxas do contrato de 5 anos subiram, operando em 203 pontos no final da tarde, após fecharem em 195 pontos ontem. Ainda hoje, a moeda para outubro fechou em queda de 0,94%, a R$ 5,2960.

"Atribuo o comportamento o dólar esta semana principalmente ao noticiário positivo local", reforça um diretor de tesouraria. Se as notícias domésticas têm agradado ao mercado, este executivo comenta que o mesmo não vem ocorrendo em outros emergentes, como a Turquia e África do Sul, ambos com fundamentos frágeis. Nos últimos seis pregões, o dólar só subiu em um, acumulando queda de 6%.

No exterior, o dólar subiu ante a maioria das moedas emergentes e no final da tarde passou a cair ante divisas fortes, ajudado por dados fracos de serviços de agosto. Para os economistas do banco CIBC Capital Markets, é mais um indício de perda de fôlego da recuperação da economia americana.

Bolsas do exterior

A Europa também foi afetada pela desvalorização dos Estados Unidos, onde os índices fecharam praticamente em queda generalizada com exceção da Bolsa de Madri, que teve leve alta de 0,13%. O Stoxx 600 caiu 1,40%, a Bolsa de Londres recuou 1,52%, a de Frankfurt cedeu também 1,40% e a de Paris teve perdas menores, de 0,44%. Milão e Lisboa caíram 0,12% e 1,54% cada.

Na Ásia, deu força aos índices a queda marginal de 0,1% do índice de gerentes de compras chinês entre julho e agosto, que ficou aos 54 pontos, indicando uma estabilidade na economia do país no pós-pandemia. O japonês Nikkei subiu 0,94%, o sul-coreano Kospi avançou 1,33% e o Taiex registrou alta de 0,46% em Taiwan, mas o Hang Seng caiu 0,45% em Hong Kong. No entanto, o bom resultado da China não ajudou os chineses Shenzhen Composto Xangai Composto, que caíram 0,58% e 0,84% cada. Já a Bolsa australiana se valorizou 0,81% nesta quinta./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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