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Bolsa inverte sinal e fecha em queda, com cenário fiscal do País; dólar fica a R$ 5,12

Governo e Congresso estudam por meio da PEC Emergencial, uma forma de conseguir abrir caminho para despesas fora do teto de gastos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 09h05
Atualizado 07 de dezembro de 2020 | 18h52

Apesar de subir forte aos 114 mil pontos durante boa parte do pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal e encerrou com queda de 0,14%, aos 113.598,77 pontos nesta segunda-feira, 7, após temores em relação ao compromisso do governo com o teto de gastos. O dólar, que também vinha em forte queda, amenizou as perdas e fechou com leve baixa de 0,09%, a R$ 5,1200.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o Congresso quer abrir caminho para despesas fora do teto de gastos, regra que limita o avanço das despesas à inflação, pelo período de um ano, desde que sejam bancadas com receitas vindas da desvinculação de fundos públicos. A proposta consta no texto da PEC Emergencial, do senador Márcio Bittar (MDB-AC). A reação inicial não agradou, com operadores usando expressões como "pedalada" e "novo malabarismo" para se referir a medida em estudo.

"Furaram o teto", afirmou ainda uma fonte do mercado financeiro ouvida assim que a Bolsa inverteu o sinal. Com a notícia, o Ibovespa caiu aos 112.629,18 pontos na mínima do dia. Na máxima, bateu em 114.531,04 pontos. A partir daí, os investidores dispararam ordens de venda e as ações de primeira linha de bancos, que ainda tiveram fôlego para fechar em alta. Os papéis de Itaú Unibanco PN subiram 0,59%, Bradesco PN, 0,66%, Banco do Brasil ON, 1,45% e as units do Santander, 2,31%. Vale teve ganho de 1,18%.

Com a forte rejeição do mercado, o Ministério da Economia se pronunciou formalmente e disse que é contra qualquer proposta que trate da flexibilização do teto de gastos, mesmo que temporária. O próprio ministro Paulo Guedes veio a público para dizer que conversou com Bittar e que ele afirmou que não havia flexibilização do teto. De acordo com o ministro, o próprio presidente também negou a intenção. "Conversei com Bolsonaro, que também disse que não há flexibilização do teto", afirmou Guedes.

Para Juan Espinhel, consultor de investimentos da Ivest Consultoria, em relação às finanças do governo federal, existe um alerta no mercado sobre como serão conduzidos os pacotes de auxílio para o próximo ano e qual será o impacto nas contas públicas. "O risco fiscal existe", ressaltou.

No início da segunda etapa dos negócios, a notícia sobre o início da imunização contra o coronavírus no estado de São Paulo, a partir de 25 de janeiro próximo, ajudou no humor interno. Aliado a isso, declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre a expectativa de avanço das negociações e votação da reforma tributária ainda este ano também contribuíram.

Câmbio

Na reta final dos negócios de hoje, o mercado de câmbio teve momentos de forte volatilidade, em meio ao noticiário sobre a PEC Emergencial e chance de estourar o teto de gastos. O dólar emendou a terceira queda seguida, mas desacelerou rapidamente o ritmo de desvalorização na reta final do mercado à vista. Após cair a R$ 5,05 no início dos negócios, encerrou em R$ 5,12. A moeda para janeiro fechou em queda de 1,08%, a R$ 5,1000.

Em meio ao noticiário fiscal, o real deixou de ser a moeda com melhor desempenho internacional hoje, posto alcançando mais cedo em meio à promessa de avanço de reformas fiscais. "Hoje foi um dia típico que a gente estava com saudade, Brasília aprontou, depois voltou atrás, fortes emoções", disse o responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos, Roberto Motta, em live há pouco. "Mais uma manobra à la Brasil para tentar escapar do teto de gastos por um ano", disse ele, falando que houve tentativas de desmentido pelo governo, mas fica o ruído.

"Não sei se as dúvidas fiscais vão ser dirimidas tão cedo", disse no final da manhã o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita. "O que aprendemos em 2020 é que viver com o teto pode ser difícil, mas manter o teto também é muito difícil. Requer um grau de articulação", disse. O banco projeta o dólar em R$ 5,25 este ano, influenciada pelo desmonte da proteção em excesso dos bancos no exterior./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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