Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa avança 0,8% e recupera parte das perdas da sessão anterior; dólar sobe

Ibovespa chegou a cair mais de 2,6% na última quarta-feira, após a inflação dos EUA vir muito acima do esperado por especialistas; cenário interno, no entanto, limitou os ganhos

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 16h38
Atualizado 13 de maio de 2021 | 18h30

A Bolsa brasileira (B3) conseguiu, em sintonia com Nova York, recuperar parte das perdas da sessão anterior, quando recuou mais de 2,6% após a divulgação dos dados da inflação americana. O principal índice do mercado brasileiro subiu 0,83%, aos 120.705,91 pontos nesta quinta-feira, 13, dia de balanço da Petrobrás. No câmbio, o dólar também perdeu parte do fôlego do pregão de ontem e encerrou com leve alta de 0,15%, a R$ 5,3133.

Na última quarta-feira, o salto no índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA veio maior do que o esperado e alimentou temores de inflação - ontem, o indicador registrou alta de 4,2% nos doze meses encerrados em abril, o maior para o período desde 2008. Hoje, a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI), que subiu 0,6% no mês passado, na comparação com março, também veio acima das estimativas, mas não teve tanto impacto. Passado o susto, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq somaram ganhos de 1,29%, 1,22% e 0,72% cada, em Nova York.

Segundo analistas, o mercado se voltou, nesta quinta, para os desdobramentos no cenário político, principalmente o andamento da CPI da Covid e a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, em pesquisa Datafolha divulgada na noite de ontem, que apontou favoritismo para o ex-presidente Lula na eleição do próximo ano. Fatores como esses ajudaram a segurar os ganhos da Bolsa hoje.

"O mercado está de olho no que tem acontecido na política, mas ainda não faz preço pela dificuldade de antecipar, seja por um lado, seja por outro. Por enquanto, continua correlacionado ao exterior e aos resultados das empresas aqui, que têm ajudado. Recuperação adicional depende de a vacinação avançar, assim como as reformas, administrativa e tributária", diz Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos.

Nesta quinta-feira, as ações de bancos operaram em direção única, com ganhos de 2,32% e 3,05% para Bradesco PN e ON. Entre as commodities, a queda do preço do minério de ferro na China ajudou a derrubar algumas ações, com destaque para as baixas de 1,61% e 4,47% de Vale e Usiminas. Apesar da queda do petróleo no exterior e das expectativas pelo resultado do balanço, Petrobrás ON e PN subiram 0,91% e 0,89% cada. 

"As ações de commodities passaram hoje por um ajuste, mas é o que tem feito o Ibovespa andar com o peso que tem no índice. Se tirarmos commodities, o Ibovespa estaria negativo no ano", diz Alexandre Brito, sócio da Finacap. Após o desempenho de hoje, o índice tem agora perda de 1,09% na semana, limitando os ganhos de maio a 1,52% - no ano, avança 1,42%. 

A alta de 6,90% da Eletrobrás também chamou atenção, principalmente após o diretor de Privatizações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Leonardo Cabral, afirmar que a instituição trabalha na estruturação da capitalização da estatal, com o objetivo de "viabilizar a privatização".

Câmbio

O câmbio voltou a operar volátil no Brasil, após o ganho de 1,6% ontem. A recuperação dos índices, após a dura queda de ontem, ajudou a melhorar o desempenho do real. Após vários dias seguidos de redução de posições contra a moeda brasileira no mercado futuro da B3, que ganham com a alta do dólar, ontem houve alguma recomposição, mais uma sinalização de que o investidor pode estar esperando mais quedas do dólar. Hoje, a moeda para junho fechou em leve alta de 0,07%, a R$ 5,3165.

Apesar do temor causado ontem pela alta da inflação, a expectativa é que o banco central americano, o Federal Reserve (Fed), não altere sua política monetária pró-estímulos antes de 2022. Uma antecipação poderia jogar ainda mais pressão sob o dólar. "Hoje, Christopher Waller, diretor do Fed, afirmou que serão necessários 'vários meses' de dados de inflação para considerar uma mudança na política monetária expansionista. Ontem, o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, também afirmou que a alta recente da inflação nos Estados Unidos é temporária", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Após as surpresas com a inflação ontem e hoje, o analista de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo, avalia que o dólar pode ganhar força novamente amanhã, caso as vendas do varejo americano surpreendam, pois seriam um indício de que o Fed pode ter que retirar os estímulos monetários mais cedo. "Indicadores que sinalizem que a economia americana está andando em velocidade mais rápida do que o esperado podem adicionar combustível na recuperação do dólar." /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.