Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Alívio nas tensões políticas faz dólar cair a R$ 3,91 e Bolsa subir 2,7%

Após superar R$ 4 na abertura, a moeda reduziu a alta depois que o presidente afirmou que as discussões com Maia foram uma 'chuva de verão'

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2019 | 09h16
Atualizado 28 de março de 2019 | 18h40

A promessa de reconciliação entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia deu impulso para uma alta expressiva do Índice Bovespa nesta quinta-feira, 28, corrigindo parte das perdas dos últimos pregões. Além disso, o dólar, que atingiu o patamar de R$ 4 nos primeiros negócios da manhã, arrefeceu e encerrou o dia em queda. O Ibovespa terminou o dia aos 94.388,94 pontos, em alta de 2,70% e o dólar caiu 0,96%, a R$ 3,9165. Os negócios somaram R$ 16,6 bilhões.

Na avaliação de analistas, a bandeira branca acenada entre Executivo e Legislativo trouxe algum alívio na percepção de crise política, mas está longe de reativar no mercado o otimismo que havia levado o Ibovespa a testar os 100 mil pontos. Por isso, a alta foi considerada essencialmente técnica, com investidores em busca de oportunidades de compra para ganhos de curto prazo.

Ao longo do dia, foram diversas as ações para sinalizar o abrandamento da crise política e a evolução da reforma da Previdência. A última foi o anúncio do deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) como relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro havia dito que os desentendimentos entre ele e o presidente da Câmara foram "chuva de verão" e que o céu já estava "lindo". Já Rodrigo Maia (DEM-RJ) selou a paz em um encontro com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e depois almoçou com Paulo Guedes (Economia), com quem conversou sobre o início do debate da PEC da Previdência.

O diretor de tesouraria de um banco ressalta que essas falas reduziram nas mesas de câmbio a sensação de que o Congresso fosse entrar guerra com Planalto, em meio à relutância de Bolsonaro em dialogar com o Congresso.

Ao mesmo tempo, este executivo lembra que Bolsonaro tem tentado governar de uma forma diferente de seus antecessores, sem tentar montar uma base de coalização entre os parlamentares, o que só contribui para aumentar a incerteza no mercado e do próprio Congresso.

"Os recentes ruídos políticos aumentaram as preocupações sobre a governabilidade", ressaltam os estrategistas do Bank of America Merrill Lynch. Uma das consequências pode ser o atraso e/ou diluição da reforma da Previdência, completam eles, ressaltando que segue "cautelosamente" otimistas com o real, que pode se fortalecer com a aprovação da reforma.

A alta das ações foi generalizada no Ibovespa, que nos melhores momentos do dia chegou a subir 3,21%. Dos 65 papéis que compõem a carteira teórica, somente três fecharam em baixa. A principal delas foi Suzano ON (-2,19%), refletindo a queda do dólar. Vale e Bradespar recuaram em resposta a questões relacionadas ao balanço da companhia, divulgado na véspera. Os ganhos mais representativos ficaram com as blue chips do setor financeiro, tendo entre os destaques Bradesco PN (+5,08%) e Itaú Unibanco PN (+3,96%). Papéis do "Kit Brasil" também se sobressaíram: Banco do Brasil ON subiu 3,49%, Eletrobras ON avançou 7,13% e Petrobras PN teve ganho de 2,63%.

"O mercado de ações tem vivido um momento de polaridade, com altas e baixas expressivas em meio ao tiroteio político. Assim, o alívio na crise política hoje favoreceu ajustes técnicos, depois de um pregão bastante tenso na quarta-feira", disse Renan Sujii, estrategista da GS Research.

Para Sujii, o mercado provavelmente antecipou cedo demais a tramitação da reforma da previdência quando levou o Ibovespa rapidamente aos 100 mil pontos, sem que houvesse fato concreto que indicasse uma tramitação sem sobressaltos. "O mercado considerou a tese do 'no news, good news', mas na verdade a falta de notícias indicava falta de articulação", afirmou o profissional. Para ele, dificilmente o mercado levará o Ibovespa de volta aos 100 mil pontos sem que haja fatores concretos que indiquem a evolução do trâmite legislativo.

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