JF Diorio/Estadão
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Em dois dias, Banco Central injeta US$ 750 milhões no mercado financeiro

Existe uma procura de grandes empresas pela moeda à vista no Brasil para quitar dívidas no exterior; com os leilões diários, o BC busca evitar que a demanda maior pressione o dólar e cause distorções nos preços da moeda americana

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2019 | 11h43

BRASÍLIA - Em dois dias, o Banco Central (BC) vendeu US$ 750 milhões ao mercado financeiro, para aumentar a oferta de moeda americana às empresas brasileiras. Após a operação de US$ 200 milhões de ontem, o Banco Central vendeu na manhã desta quinta, 22, US$ 550 milhões, exatamente o montante que se dispôs a negociar.

Até o dia 29, o BC pretende ofertar diariamente US$ 550 milhões às instituições financeiras, para aumentar a disponibilidade de dólares no sistema. Isso porque, nos últimos meses, existe um movimento de procura por moeda à vista no Brasil, por parte de grandes empresas, para quitar dívidas no exterior. Essas empresas estão pagando dívidas lá fora e tomando crédito no Brasil, em processo de “rolagem” de compromissos. Com os leilões diários, o BC busca evitar que a demanda maior pressione o dólar e cause distorções nos preços da moeda americana. Somente em agosto, o dólar à vista subiu mais de 5% em relação ao real.

Os US$ 750 milhões negociados até agora sairão diretamente das reservas internacionais do País, hoje na casa dos US$ 389 bilhões. Apesar de o valor negociado ser pequeno em relação ao total das reservas, o BC montou uma estratégia para evitar que, com a venda de dólares à vista, haja redução no volume de recursos disponível para que o País enfrente uma eventual crise internacional.

Simultaneamente ao leilão de moeda à vista, o BC promoveu um leilão de swap cambial reverso – um contrato ligado ao câmbio cuja negociação tem efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Ontem, como foram vendidos apenas US$ 200,0 milhões no leilão à vista (US$ 200,0 milhões também na operação com swap reverso), o BC ainda realizou um leilão de swap cambial tradicional – equivalente à venda de dólares no mercado futuro – para completar a ação do dia.

Ao fazer as três operações – venda de dólar à vista, swap reverso e swap tradicional – o BC viu as reservas internacionais diminuírem em US$ 750,0 milhões em dois dias, mas sua posição em contratos de swap também foi reduzida no mesmo montante. O saldo disso é que a posição cambial líquida do BC – que leva em conta as reservas, mas também as operações com swaps – não mudou. Até o dia 16 de agosto, a posição cambial líquida do BC estava em US$ 329,4 bilhões. Este é o valor que, na prática, o País tem à disposição para emergências. É o verdadeiro "seguro" contra crises externas. O valor é menor que o montante das reservas internacionais justamente porque considera os swaps.

Amanhã, o BC promoverá nova operação de venda de dólar à vista, com oferta de US$ 550,0 milhões, combinada com operação de swap cambial reverso. As condições serão conhecidas na noite de hoje.

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