O salto da energia solar no Brasil
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O salto da energia solar no Brasil

Em 2021, o segmento atraiu mais de R$ 21,8 bilhões em investimentos e cresceu 65% em potência operacional instalada no País na comparação com o ano anterior

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2022 | 08h00

Estratégica na função de diversificar a matriz elétrica brasileira com fontes renováveis, em 2021, a energia solar cresceu no Brasil impressionantes 65%.

A fonte solar fotovoltaica, que inclui as grandes usinas solares de geração centralizada e o segmento de geração distribuída, que é o da energia elétrica gerada no local de consumo por meio de sistemas de captação de luz solar instalados em telhados e fachadas, chegou aos 13 gigawatts (GW) de potência operacional

 

Assim, a fonte solar no Brasil se aproxima da atual capacidade instalada da Usina de Itaipu, segunda maior hidrelétrica do mundo, que é de 14 GW. E ultrapassa a potência instalada de termoelétricas movidas a derivados de petróleo e carvão mineral, que possuem pouco mais de 12,9 GW de potência instalada.

Mesmo com o dólar mais valorizado ante o real e com as restrições na oferta de painéis pela escassez de semicondutores, os investimentos seguem em expansão. Como apontam as estatísticas da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a energia solar atraiu investimentos de quase R$ 22 bilhões somente em 2021.

Desde 2012, a fonte solar já movimentou mais de R$ 66,3 bilhões em novos investimentos no Brasil. Desses, cerca de R$ 24 bilhões foram direcionados para usinas de grande porte. Já na geração distribuída, onde o País possui mais de 720 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede, os investimentos acumulados ultrapassam os R$ 42,4 bilhões. E os números tendem a crescer, mesmo com o fim gradual dos subsídios que estimulam o uso dessa energia.

“Apesar dos avanços, ainda não estamos numa posição que reflita o potencial que a energia solar tem no Brasil. Em comparação com outras fontes renováveis, como a geração de energia hidrelétrica e a partir da biomassa, o Brasil ocupa a 2ª posição no ranking mundial e na geração eólica, a 7ª colocação, mas na solar não somos referência ainda, ocupamos apenas a 14ª posição no ranking mundial de geração desse tipo de energia ”, observa Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar.

Sauaia reforça que a energia solar continua sendo uma das fontes mais competitivas entre as fontes renováveis, com preços médios abaixo dos US$ 30,90/MWh, por este motivo o País precisa continuar desenvolvendo estratégias para que a energia solar faça parte do planejamento energético brasileiro e que sejam criadas políticas públicas para facilitar o acesso à tecnologia e democratizar o uso da energia solar para todas as faixas econômicas.

O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta sexta-feira o marco legal da geração própria de energia, que limita até 2045 a isenção de encargos para os que já possuem sistemas fotovoltaicos e os que solicitarem o serviço até 12 meses após a sanção da lei e impõe cobranças gradativas, a partir de 2023, para os consumidores que instalarem o sistema.

Hoje, os usuários que produzem a própria energia não pagam alguns encargos, como a utilização da rede e tarifas por distribuição. Pela nova lei, as distribuidoras serão compensadas mensalmente por essas despesas e os consumidores atendidos pelas distribuidoras vão pagar parte dos encargos na própria conta de luz. O repasse das tarifas associadas à energia elétrica para geração distribuída começa, a partir de 2023, em 15% do total dessas vantagens.

O que se espera agora é o emprego de materiais, de tecnologias e de novas soluções destinados a assegurar o aumento da competitividade da energia limpa em relação à convencional. O Brasil mostra algum avanço nesse requisito. Regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicada no fim de 2021 deu aval para o funcionamento de usinas híbridas no País, que preveem a combinação de mais de uma fonte de energia no mesmo espaço. Uma das vantagens dessa solução é o aproveitamento da mesma rede de transmissão.

Para o professor e pesquisador Nivalde de Castro, coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, essa nova regra pode aumentar a participação da energia solar na matriz brasileira, uma vez que é mais fácil realizar investimentos para criação de plantas solares em centrais já instaladas (hidrelétrica, eólica, termoelétrica), porque ela é uma fonte que consegue facilmente se complementar às outras. /COM PABLO SANTANA

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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