Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

Falta de peças paralisa produção nas indústrias

Efeitos da greve se espalham por vários setores da economia; dona da Brastemp e Consul, a Whirlpool cancelou venda para a Argentina

Márcia de Chiara e Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 18h24

Os efeitos da greve dos caminhoneiros se espalham por vários setores da indústria. Fabricantes de produtos eletroeletrônicos estão parando a produção por falta de componentes e de veículos para entregar produtos nas lojas. No setor automobilístico, a maioria das cerca de 40 fábricas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motores não operou nesta sexta-feira, 25, e várias informaram que continuarão fechadas na segunda-feira, também por falta de peças para a produção. 

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Segundo a Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, até sexta-feira, oito fábricas estavam paradas total ou parcialmente. Os produtos mais afetados são TVs, refrigeradores, fogões, geladeiras e aparelhos de ar condicionado.

O presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento Júnior, disse que “20% das 49 unidades fabris estão com alguma linha de produção parada ou na iminência de parar”. Segundo ele, uma semana de greve dos transportes vai representar prejuízo para os fabricantes equivalente a 15 dias de produção.

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A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, deixou de exportar dez carretas de refrigeradores para a Argentina por não ter como transportar a carga de Joinville para o Porto de Itajaí, em Santa Catarina. 

A Mondial, fabricante de eletroportáteis, tem 25 caminhões com produtos parados nas rodovias e 65 com carga faturada estacionados no pátio da fábrica, na Bahia. Por enquanto, nenhuma das duas deixou de produzir.

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No caso das montadoras, que começaram a parar atividades na terça-feira – casos da General Motors, Ford e Volkswagen – são cerca de 12,6 mil veículos que deixam de ser produzidos diariamente, tendo como base os números de abril.

Como não há peças disponíveis, é provável que as linhas de montagem continuem paradas na segunda-feira. A fabricante de caminhões MAN já adiantou que seguirá sem produção. Até a Mercedes-Benz, que enfrentou dez dias de greve de funcionários no ABC paulista e voltou a operar na quinta-feira, vai suspender atividades na segunda por falta de componentes.

Na sexta, a Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus, disse que suspenderá as atividades em todas as suas fábricas de segunda-feira até 1º de junho. O motivo também é a falta de peças. A CNH, que faz máquinas agrícolas, não operou na sexta e seguirá parada na segunda.

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