ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Postos voltam a receber combustíveis e normalização deve levar uma semana

Estimativas iniciais apontam que cerca de 3 bilhões de litros de combustíveis deixaram de ser vendidos; empresas deixaram de faturar cerca de R$ 11 bilhões

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 22h22

As filas que se via nesta terça-feira, 29, nas ruas de várias cidades brasileiras eram encaradas como um sinal de alívio. Depois de vários dias sem combustível nos postos, as pessoas estavam conseguindo reabastecer carros e motos. O sumiço do combustível foi um dos efeitos mais visíveis da crise de abastecimento provocado pela paralisação dos caminhoneiros, que completou nove dias.

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O abastecimento, em boa parte, foi conseguido graças a escoltas militares, necessárias para que os caminhões-tanque conseguissem atravessar barreiras dos manifestantes. O ritmo de saída desses caminhões das distribuidores, porém, vinha se intensificando na terça-feira.

Na previsão das principais distribuidoras de combustíveis do País, a normalização da entrega nos postos deve acontecer em uma semana, segundo Ricardo Mussa, conselheiro da Plural, entidade que reúne a BR (da Petrobrás), Raízen (joint venture entre Cosan e Shell) e Ipiranga (do Grupo Ultra).

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Retomada. Segundo ele, a expectativa era de que de que entre 60% e 65% dos carregamentos de combustíveis das distribuidoras até os postos estivessem regularizados até a noite desta terça-feira na capital paulista e na Grande São Paulo. Na segunda-feira, os volumes eram de 15%. No período mais crítico, chegaram a 10%.

Segundo Mussa, as regiões Norte, Nordeste e Sudeste são as que apresentam melhor situação. Na região Norte, até 80% da distribuição estava regularizada até a noite de terça-feira e, no Nordeste, esse índice era de 90%. A previsão para o Sudeste também era chegar a 90% nesta terça-feira. No Centro-Oeste e Sul do País, a regularização estava mais devagar, ambos com 35% previstos até o fim da noite de terça.

No Rio, cerca de 15% dos postos haviam recebido na terça-feira algum volume de etanol, gasolina e diesel. Mas o número vem crescendo. A expectativa é que leve entre quatro a cinco dias para que o consumidor encontre todos os combustíveis disponíveis em todo os postos.

Em Salvador, a terça-feira foi de filas nos postos, mas já menores que as verificadas nos dias anteriores. Estimativa do sindicato do setor é de que cerca de 70% dos postos já estivessem abastecidos terça-feira na capital e na região metropolitana.

A operadora de voo Leila Carvalho, de 40 anos, saiu à tarde para tentar completar o tanque e foi positivamente surpreendida. Após aguardar por cerca de 40 minutos na fila, viu o abastecimento ser suspenso, e preocupou-se acreditando ter acabado o combustível.

Entretanto, a pausa foi para baixar o preço do litro da gasolina comum de R$ 4,89 para R$ 4,57 o litro, no posto da Avenida Antonio Carlos Magalhães. “Isso é que é a verdadeira ostentação, conseguir abastecer e ainda a preço menor”, brincou.

Em Recife, as filas também eram longas na terça-feira. “Eu já passei duas madrugadas inteiras esperando e nada. Na terça-feira pela manhã soube que tinha um posto perto da casa de minha filha que iria receber combustível e corri para lá. Passei quatro horas na fila, mas finalmente consegui abastecer”, contou o aposentado Messias Dias, de 68 anos.

Perda. As distribuidoras não têm um cálculo fechado dos prejuízos provocados pela paralisação. Mas estimativas iniciais apontam que cerca de 3 bilhões de litros de combustíveis deixaram de ser vendidos e as empresas deixaram de faturar cerca de R$ 11 bilhões. A Plural e a Federação Brasilcom, que reúne as distribuidoras menores, obtiveram nos últimos dias mais de 80 liminares judiciais para voltar a operar. Porém o cumprimento das decisões era dificultado pelos grevistas.

Esperas. O empresário Agnaldo Brito Gonçalves, de 47 anos, finalmente conseguiu chegar em casa nesta terça-feira. Ele veio a São Paulo para comprar um carro, mas ficou sem gasolina para voltar com o veículo a Jales (SP). O combustível só chegou ao posto na Rua Amaral Gurgel, no centro de São Paulo, às 2h.

Na fila desde a tarde do dia anterior, Gonçalves finalmente conseguiu abastecer, mas teve de colocar apenas R$ 100. Ainda sem gasolina suficiente para todo o trajeto, ele precisou parar de novo em Rio Claro. “E lá tinha fila também, de umas duas horas.” A romaria só terminou na tarde de terça-feira, quando chegou em casa. “Essa viagem foi tumultuada, viu? Não foi boa, não.”

A terça-feira foi mais um dia em que as pessoas ficaram horas na fila só pela expectativa de obter combustível. As confusões se sucederam pela capital, com buzinaços pontuais e veículos chegando a fechar passagens. Um posto de combustível próximo à Estação Giovani Gronchi, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na zona sul, limitou a venda de gasolina a 5 litros por pessoa após uma confusão pela manhã.

Os motoristas aguardavam na fila havia quatro horas para abastecer e muitas pessoas levavam vasilhames de plástico por já não ter como tirar os carros de casa. Esse era o caso do vendedor Paulo Roberto dos Santos, de 39 anos, que estava desabastecido desde segunda-feira. “Não tenho nem como tirar o carro de casa, muito menos ir trabalhar.” O gerente do posto, Sérgio Rodrigues, disse ter recebido um caminhão com 60 mil litros de gasolina às 6h30 de terça-feira. “Já estamos apenas com 20 mil litros”, disse ele, às 11h30, com duas viaturas da PM posicionadas para evitar tumultos. / MÔNICA SCARAMUZZO, DENISE LUNA, ISABELA PALHARES E JÚLIA MARQUES, COM HELIANA FRAZÃO E MÔNICA BERNARDES, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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