Alan Santos/PR - 24/9/2019
Alan Santos/PR - 24/9/2019

Relembre episódios em que os Estados Unidos deixaram o Brasil na mão

Ameaça de retomada de tarifas sobre o aço e o alumínio é mais um desencontro na relação bilateral entre os dois países

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 12h41

A proximidade entre o Brasil e os Estados Unidos é frequentemente apontada pelo governo brasileiro como uma conquista da gestão Bolsonaro. Mas a relação sofreu um baque nesta segunda-feira, 2, quando o presidente Donald Trump anunciou, no Twitter, que vai retomar tarifas de importação sobre o aço e alumínio produzidos no País e na Argentina. A medida, segundo o presidente dos EUA, é uma resposta à desvalorização monetária praticada pelos dois países, que estaria prejudicando os produtores norte-americanos.

Esse é apenas mais um desencontro entre os dois países em 2019. Apesar do acordo que libera o uso da base de Alcântara, no Maranhão, para os norte-americanos; da liberação de vistos para turistas dos EUA; e da renúncia ao status de economia emergente na OMC, um pedido de Trump, as contrapartidas não têm vindo. 

Relembre três episódios em que o Brasil saiu prejudicado na relação bilateral com os Estados Unidos.

Retomada da tarifa sobre o aço e alumínio do Brasil

No início da manhã da segunda-feira, 2, Trump usou o Twitter para anunciar a retomada das tarifas sobre o aço e alumínio produzidos no Brasil. O presidente disse que, com a Argentina, o País tem desvalorizado a moeda local e isso "não seria bom" para os fazendeiros americanos.

"Fed (Federal Reserve, o banco central americano) precisa agir para que países não tirem vantagem de nosso dólar forte para desvalorizar ainda mais suas moedas", completou Trump, na rede social. Bolsonaro reagiu à fala de Trump afirmando que vai conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e acrescentou que, se precisar, vai contatar o próprio presidente americano. "Se for o caso, falo com Trump, tenho canal aberto." 

Elevação da cota de importação de etanol sem tarifa

Em setembro, o governo brasileiro decidiu elevar a cota de importação de etanol isenta da tarifa de 20% de 600 milhões de litros para 750 milhões de litros por um ano. A medida foi vista como um aceno para os Estados Unidos, principais produtores do álcool feito com milho, para abrir o mercado do país ao açúcar nacional.

No entanto, a medida foi tomada de maneira unilateral pelo governo brasileiro, sem a promessa de que os Estados Unidos realmente iriam importar mais  açúcar brasileiro. Até o momento, nenhuma movimentação do governo americano foi tomada nesse sentido.

Trump retira apoio dos EUA à entrada do Brasil na OCDE

No mês de agosto, o governo americano retirou o apoio público à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), acordo que havia sido firmado entre os dois países na visita que Jair Bolsonaro fez aos Estados Unidos em março. Em troca, o Brasil havia renunciado ao status de economia emergente na OMC.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, enviou carta à organização endossando apenas o ingresso da Argentina e da Romênia na instituição.

Após um mal-estar, os Estados Unidos justificaram sua decisão dizendo que o apoio às candidaturas dos dois países era anterior à do Brasil, mas que o governo americano mantém seu apoio ao País em uma eventual candidatura no futuro. 

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