Johannes Eisele/AFP
Johannes Eisele/AFP

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Guerra comercial derruba Bolsas no mundo e faz dólar subir no Brasil

Ibovespa tem queda de mais de 2% e a cotação da moeda americana atingiu a nova máxima de R$ 3,9621 nesta segunda; Donald Trump acusa a China de 'manipulação cambial'

Luciana Xavier, Monique Heemann e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 10h17
Atualizado 05 de agosto de 2019 | 16h28

O aumento da tensão comercial entre Estados Unidos e China ganhou novos contornos na manhã desta segunda-feira, 5, depois que a China deixou o dólar romper a marca psicológica - valor que o mercado havia definido como limite - dos 7 yuans pela primeira vez desde 2008 e o presidente norte-americano, Donald Trump, acusou a potência asiática de "manipulação cambial".

Como resultado desse cenário, que já traz temores de que as disputas comerciais extrapolem para uma guerra cambial, houve um movimento generalizado de aversão ao risco.

O dólar ganha força ante as principais moedas emergentes, incluindo o real, mas tem queda importante em relação a divisas mais fortes, como iene e franco suíço. No Brasil, a moeda norte-americana tem alta de mais de 1,5%, chegando a  R$ 3,9621 na tarde desta segunda, no maior valor em um dia desde os R$ 3,9983 registrados em 31 de maio.

O comportamento da divisa foi influenciado pela piora dos negócios no mundo e pela cautela com a semana em que a reforma da Previdência volta ao radar dos investidores, com a previsão de votação do texto em segundo turno na Câmara dos Deputados.

Queda é generalizada na Bolsa brasileira

Na Bolsa brasileira a queda é generalizada: Petrobrás e Vale têm desvalorização de mais de 3%. O Ibovespa voltou a operar na faixa dos 100 mil pontos, recuando mais de 2%, ameaçando abandonar até mesmo essa marca.

As mineradoras e siderúrgicas são afetadas pelo recuo de 6,66% no minério de ferro na China, também relacionado à briga comercial entre as duas maiores potências do mundo. As ações da CSN, Vale e Bradespar - importante acionista da mineradora - lideraram as maiores quedas do Ibovespa durante a manhã. No começo da tarde, os papéis caíam 5,74%, 3,89% e 4,79%, respectivamente.

Outras empresas de commodities também registram quedas acentuadas: Usiminas PNA recua 3,65% e Gerdau PN cai 3,17%.  As ações dos bancos como Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil caíam mais de 1%. O petróleo chegou a cair mais de 2%.

 

 

 

Perdas em Wall Street

Em Nova York, as maiores perdas ocorrem nas ações dos setores financeiro e de tecnologia, com quedas próximas de 4%, como Bank of America, Citibank, Morgan Stanley e Apple. 

O índice de volatilidade VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, chegou a saltar 26% na máxima do dia, acima dos 20 pontos. O Dow Jones chegou a cair 1,96%, S&P 500, 1,97% e Nasdaq, 2,57%. O índice FTSE 100, em Londres, encerrou o dia em queda de 2,47% o CAC 40, em Paris, recuou 2,19%.

A preocupação de analistas é que a disputa comercial contamine as expectativas para o crescimento mundial, aumentando as perspectivas de que um acordo pode ser adiado para depois da eleição presidencial dos EUA, em 2020.

Trump acusa China de manipulação cambial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no Twitter que a China desvalorizou sua moeda para quase um nível histórico. "Isso se chama manipulação cambial", acusou. 

Nesta segunda, o dólar ultrapassou a marca psicologicamente importante de 7 yuans pela primeira vez desde 2008, depois que o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) estabeleceu a taxa de paridade em 6,9225 yuans por dólar, contra 6,8996 yuans por dólar na sexta-feira.

Segundo Trump, "isso é uma violação importante que enfraquecerá a China ao longo do tempo". Não é a primeira vez que o líder americano acusa Pequim de manipular o yuan para ter benefícios em disputas comerciais. 

O presidente ainda ironizou: "Está ouvindo, Federal Reserve (Fed, o banco central americano)?". Na última semana, ele afirmou não receber "ajuda" da autoridade monetária do país para sua economia. Na última quarta-feira, 31, O Fed reduziu os juros em 0,25 ponto porcentual, descendo a taxa para a faixa entre 2% e 2,25%. Foi o primeiro corte feito pelo Fed desde a crise de 2008

Chineses negam acusação

O presidente do PBoC, Yi Gang, afirmou nesta segunda que o país não usará a taxa de câmbio como uma ferramenta para lidar com "perturbações externas como disputas comerciais".

Em comunicado, a autoridade monetária insistiu que a taxa de câmbio do yuan está em um "nível apropriado", cuja flutuação é "impulsionada e determinada pelo mercado". "Muitas moedas se depreciaram contra o dólar desde o começo de agosto e a taxa de câmbio do yuan também foi afetada", disse.

Yi reiterou que, "como um país grande responsável, a China vai se ater ao espírito dos líderes da cúpula do G20 sobre a questão da taxa de câmbio, aderir ao sistema de taxa de câmbio determinado pelo mercado, não vai se envolver em desvalorização competitiva e não usará a taxa de câmbio para propósitos competitivos". A declaração foi publicada pelo PBoC uma hora antes das acusações de Trump no Twitter.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.