André Dusek/Estadão
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Mercado já cogita alta da taxa de juros em setembro

Segundo o último boletim Focus, Selic permaneceria em 6,25% ao ano patamar até maio de 2019, quando voltaria a subir; ontem, BC manteve juro em 6,50%

Luciana Antonello Xavier, Dayanne Sousa e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2018 | 14h17

Após a surpresa vista da manutenção da Selic em 6,50% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado, que viu a decisão de forma negativa, ajusta suas apostas, passando a precificar a possibilidade de alta de juros já em setembro deste ano.

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Na visão dos economistas, a Selic cairia para 6,25% ao ano, a despeito do movimento mais recente de alta do dólar ante o real, que impacta a inflação. Segundo o último boletim Focus, do Banco Central, a taxa básica permaneceria neste patamar até maio de 2019, quando voltaria a subir.

Com a decisão de ontem, o mercado mudou o palpite. Na manhã desta quinta-feira, a curva de juro a termo precificava 60% de chance de início de a primeira alta de juros ocorrer em setembro deste ano. Ontem, estava ao redor de 45%, segundo cálculos do economista-sênior da Haitong, Flávio Serrano.

Os juros futuros subiam nos prazos curtos e médios, mas tinham viés de baixa nos longos. Às 11h14, o DI para janeiro de 2019 subia para 6,545%, de 6,320% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2020 tinha alta para 7,51%, de 7,34%, enquanto o vencimento para janeiro de 2021 subia a 8,56%, de 8,46% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2023 recuava para 9,62%, de 9,63% no ajuste de ontem.

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Varejo. Profissionais do mercado ouvidos pelo Estadão/Broadcast e que preferiram não se identificar avaliam que a manutenção da Selic não muda no curtíssimo prazo os fundamentos para as ações de empresas ligadas ao consumo doméstico. A notícia, no entanto, chama atenção para o fato de que as grandes varejistas brasileiras se aproveitaram do vento a favor nos últimos meses, o qual pode não continuar a soprar, em especial a partir do segundo semestre.

Após a manutenção da Selic pelo Copom, o mercado ajusta suas apostas, passando a precificar a possibilidade de alta de juros já em setembro deste ano.

Para o varejo, a preocupação hoje é com possíveis efeitos adversos na desaceleração da atividade econômica em meio a uma persistência do desemprego elevado. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a taxa de desocupação no Estado de São Paulo subiu de 12,7% no quarto trimestre de 2017 para 14,0% no primeiro trimestre deste ano.

As ações de varejistas registram queda nesta quinta-feira. Há pouco, Lojas Americanas PN recuava 3,39%, Pão de Açúcar caía 2,47% e Natura, 2,30%. Ao mesmo tempo, o Ibovespa caía 1,56%.

Para um analista ouvido, as vendas no varejo – sobretudo a de bens duráveis como eletroeletrônicos - devem seguir embaladas ao longo do segundo trimestre. A maior renda disponível de consumidores em razão da queda de preços de alimentos e o impulso da Copa do Mundo pesam a favor. Depois disso, no entanto, as incertezas são maiores.

"Mais recentemente, as varejistas se beneficiaram muito de um consumo reprimido durante a crise, que agora começou a se transformar em venda", comentou outro analista. "Mas existe a preocupação de como isso vai se sustentar no caso de um ambiente menos favorável no segundo semestre", concluiu.

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